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Eliminando alguns mitos

2 ago 2010 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: Curiosidades


É fato que o papel do oftalmologista vem se ampliando graças à tecnologia e em função do envelhecimento da população brasileira, mas julgo importante esclarecer, no velho capítulo dos óculos e lentes de contato, alguns mitos e alguns pontos de curiosidade.

Uma das principais razões pelas quais nossos pacientes nos procuram é para verificação e prescrição de lentes corretivas. O uso de lentes, corretivas ou não, não tem papel definidamente estabelecido no fato do grau aumentar ou não aumentar. Alguns estudos em macacos demonstraram que o uso dos óculos para miopia, em se tratando de jovens em fase de crescimento, poderia no caso do uso frequente na leitura aumentar a miopia, mas nem isso é definitivo. O fato é que quem não faz uso de correção refrativa adequada pode vir a apresentar inúmeros sintomas qualificados como astenopia, e que
se manifestam na forma de vermelhidão, lacrimejamento e dor de cabeça. Em resumo, isto significa dizer que não usar óculos traz sintomas desagradáveis, mas não aumenta e nem diminui o grau.

Outra pergunta que nos fazem sistematicamente diz respeito ao uso de óculos escuros e sua procedência. E aqui vale ressaltar que os óculos escuros têm, desde que manufaturados com material de boa qualidade, papel de filtro que protege os olhos do aparecimento de doenças que tem correlação com a radiação ultravioleta. Com o prolongamento da expectativa de vida, isso passa a ser importante, especialmente nos quadros de degeneração macular e catarata e, portanto, aqui fica também a recomendação positiva para seu uso. A origem destes óculos deve ser adequada e isto evidentemente dependerá da confiança em quem os vende.

Muito nos é questionado ainda sobre a leitura e a evolução dos graus refrativos e o pós-operatório de uma cirurgia ocular. A leitura não prejudica a visão e pode ser feita sempre. Logicamente que isso tem melhor efeito se realizado de forma adequada. Portanto, ler com grau inadequado, no escuro e ou com baixa luminosidade, em pós-operatório recente, não traz conforto, mas pode ser feito. Existem consequências momentâneas em forma de desconforto, mas que efetivamente não trazem prejuízos a médio e longo prazo.

Pacientes usuários nos questionam sobre os procedimentos refrativos e o uso de lentes de contato. A adaptação de uma lente de contato requer a supervisão médica e problemas momentaneamente inaparentes podem trazer consequências ruins a médio e longo prazo. Não é incomum vermos pacientes misturando produtos de manutenção de suas lentes de contato, que efetivamente são comprados desnecessariamente, levando a quadros irritativos. Afora isso, entendo que lentes podem ser usadas desde que as pessoas conheçam adequadamente os sintomas que possam significar que algo não está bem, e saibam manipular adequadamente o produto. Em havendo bom esclarecimento e bom entendimento, são recursos úteis e que proporcionam visão em muitos casos até superior aos próprios óculos.

Os segredos das imagens 3D

8 mar 2010 por Lotten Eyes    1 Comentário     Postado em: Imagem tridimensional

A Estereoscopia ou visão de profundidade, ou ainda imagem 3D, é um fenômeno natural que ocorre quando uma pessoa observa uma cena qualquer. Trata-se da simulação de duas imagens da cena que são projetadas nos olhos em pontos de observação ligeiramente diferentes, que uma vez fundidos no cérebro fornecem informações quanto à profundidade, distância, posição e tamanho dos objetos, gerando uma sensação de visão tridimensional.

A percepção de imagem estereoscópica pode ser obtida naturalmente através da disparidade na retina, que é o tecido sensível do olho humano. Outra forma disso ser obtido é aquilo que ocorre nos computadores onde imagens estéreas são geradas em forma de disparidade conhecida como efeito paralaxe.

Justaposição dos termos gregos stereo, relativo a dois (duplo), e scopos, relativo à visão (observador), estereoscopia diz respeito à visualização de um mesmo foco por dois mecanismos de captação de imagens. Em linhas gerais, é a imagem percebida pelo cérebro como resultado da combinação de duas imagens captadas por cada olho. Este par de imagens recebe o nome de par estereoscópico (do inglês stereo image pair), podendo ser captado por meio de máquinas fotográficas e câmeras filmadoras para posterior reprodução ou ser produzido por meio de softwares para modelagem virtual, como SkechtUp e 3DStudio MAX.

Os óculos 3D são óculos com filtros polarizantes e que criam imagens ligeiramente diferentes em cada olho, o que leva ao fenômeno de percepção de três dimensões.

A proposta da observação da trimidensionalidade no cinema e nos filmes de forma geral consiste na criação de imagens semelhantes que trazem ao cérebro a percepção acima descrita. Existem vários sistemas para que se obtenha a sensação de tridimensionalidade:

Anáglifo (óculos a duas cores): utilizam-se filtros de cores complementares, como vermelho e azul ou vermelho e verde. A imagem apresentada, por exemplo, em vermelho não é vista pelo olho que tem um filtro da outra cor. Este sistema, por seu baixo custo, emprega-se, sobretudo em publicações e também em monitores de computador e no cinema. Apresenta o problema da alteração das cores, perda de luminosidade e cansaço visual após uso prolongado. Normalmente o filtro vermelho é usado no olho esquerdo e o azul no olho direito.

Polarização: utiliza-se luz polarizada para separar as imagens da esquerda e da direita. O sistema de polarização não altera as cores, ainda que ocorra uma certa perda de luminosidade. Usa-se tanto em projeção de cinema 3D como em monitores de computador com telas de polarização alternativa. Hoje em dia é o sistema mais econômico para uma qualidade de imagem aceitável.

Alternativo: com este sistema se apresentam em sequência e alternativamente as imagens esquerda e direita, sincronizadas com óculos dotados de obturadores de cristal líquido, de forma que cada olho vê somente sua imagem correspondente. A uma freqüência elevada, a piscada de olhos torna imperceptível o truque. A técnica é utilizada em monitores de computador, TV e cinemas 3D de última geração.

Para que estas mecânicas funcionem, as pessoas devem ter um sistema visual bem desenvolvido, onde ambos os olhos trabalhem com boa visão de forma independente. Os erros refracionais devem estar corrigidos e a visão deve ter tido um processo de amadurecimento na infância que permita este tipo de trabalho de sinergia entre ambos os olhos. Existem pessoas que jamais terão percepção de profundidade adequada, valendo-se da experiência para sua atividade diária.

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