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Pterígio: saiba quais são as causas, os sintomas e as formas de tratamento

28 jun 2012 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: Pterígio

Popularmente chamado de “carne crescida” ou equivocadamente chamado de “catarata”, o Pterígio é uma pequena membrana avermelhada na superfície do olho que  avança em direção à córnea.

A causa exata até hoje não é bem conhecida.

Pode ser provocado por fatores hereditários ou ambientais, tendo maior incidência nas regiões tropicais. Sabe-se que provavelmente está relacionado com exposição prolongada ao sol, sobretudo aos raios ultravioletas (UVA e UVB).

Os sintomas principais são irritação, olhos vermelhos, sensação de cisco e fotofobia (sensibilidade à luz).

O tratamento pode ser cirúrgico nos casos em que o pterígio cresce ameaçando chegar a pupila, quando pela mudança na córnea leva a astigmatismos altos, nos casos de irritação frequente ou hiperemia (vermelhidão) constante em que haja motivação estética. Nos casos de menor sintomatologia ou pacientes muito jovens pode ser feito apenas acompanhamento clínico.

Recomendações importantes são proteção adequada dos olhos como uso de óculos escuros e lágrimas artificiais, evitar exposição prolongada ao sol, locais secos e poluídos.

Consulte seu oftalmologista para saber a melhor indicação de tratamento para o seu caso.

Verão e férias: cuide bem dos seus olhos

5 jan 2011 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: Cuidados com a visão

O verão não pode ser um obstáculo na qualidade de sua saúde ocular. Caso alguns cuidados sejam tomados, você evitará muitas das razões que lhe fazem procurar um médico oftalmologista em condições de emergência.

1-Uso de óculos com filtro solar (óculos escuros)

Muitos pacientes nos procuram por queimadura solar em suas córneas, o que efetivamente poderia ser evitado caso estivessem fazendo uso de óculos com proteção a radiação ultravioleta, além da utlização criteriosa de lubrificante ocular (lágrima artificial). Quadros desta natureza são denominados genericamente como ceratite e a dor é muito forte. Afora isto vale lembrar que a velocidade da evolução da catarata é muito maior em pacientes que não usam óculos escuros quando comparados aos que os utilizam

2-Proteção dos olhos nas tarefas caseiras

Não menos freqüente, o fato de nossos pacientes nos procurarem em função de acidentes domésticos é fruto de tarefas que normalmente não realizamos e que nas férias são objeto inclusive de recreação. Trata-se de um trabalho manual de carpintaria, uma soldadura e que exigem de TODOS óculos de proteção de maneira rotineira.

3-Proteção dos olhos em praticas esportivas

Há um aforisma que diz quanto maior a bola menor a consequência do trauma. Quem sabe por isto que cada vez mais nos procuram pacientes em função de traumas com paintball, bola de tênis, afora os demais que podem ter riscos menores, mas que efetivamente existem. Portanto, importante ressaltar a necessidade de proteger os olhos em determinadas modalidades esportivas. O olho localiza-se em um estojo ósseo (órbita), mas esta não é suficiente para proteção em todas as condições advindas de traumatismos.

4-Contato com substâncias químicas

Muito cuidado na utilização imprópria de colírios. Recebemos muitos pacientes, que por falta de organização dos frascos similares aos de colírios, utilizam indevidamente substâncias para outras finalidades, o que podem ocasionar infamações, lesões oculares. Além disto, não é infrequente que nas piscinas entremos em contato com substâncias irritativas, infecciosas ou não , mas que causam forte desconforto. Em ambas situações, a conduta é a de lavar intensamente com água corrente e no máximo utlizar-se lubrificante tópico ocular. Recomenda-se que o paciente seja examinado por um médico especialista.
Cuidado com mordidas de insetos, pois a região ao redor dos olhos é altamente infectante, além disto, é uma região onde não podemos colocar repelente.

5-Outros cuidados

Recomendo ainda cuidado com uso de “armas de brinquedo” que possam conter materiais que eliminem algum tipo de detrito e que possam invadir as estruturas oculares mesmo que externas. Cuidados com arame farpado, líquidos de baterias velhas e minha especial recomendação para os cuidados extras que devem ter os pacientes que tenham sido submetidos previamente a cirurgias oculares e cirurgia refrativa em particular.

Cirurgia com laser: operações nas córneas mais precisas

6 dez 2010 por Lotten Eyes    12 Comentários    Postado em: Novas tecnologias

Embora seja frágil e praticamente imperceptível, a córnea, aquela camada transparente que cobre a pupila e a íris dos olhos, carrega a importante missão de proteger a visão. Dependendo de suas condições, ela nos permite ou não enxergar com nitidez. Quando comprometida por traumas ou doenças, faz com que o mundo fique embaçado ou totalmente escuro. Danos a essa membrana são a segunda maior causa de cegueira reversível no planeta. Para muitos pacientes, o transplante representa a única chance de voltar a enxergar. De alguns anos para cá, a tecnologia tem contribuído para que o procedimento seja realizado com menos risco. O laser vem proporcionando cirurgias mais precisas e planejadas para os olhos que necessitam de novas córneas. No entanto, além do recurso que trouxe mais segurança para o transplante, os pacientes também dependem do ato de amor de pessoas que acabaram de perder um familiar.

O laser de femtosegundo — pulso ultrarrápido com cerca de um milésimo de bilionésimo de segundo aplicado com altíssima potência — é o mais novo aliado de pacientes que precisam do transplante de córnea. A energia já era usada em cirurgias de miopia, astigmatismo e implantes de anéis intracorneanos. De acordo com o oftalmologista Cláudio Luiz Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o femtosegundo vem proporcionando ótimos resultados. Ele explica que esse recurso permite um planejamento milimétrico do transplante. “Com o auxílio de um software, fazemos um mapeamento detalhado dos pontos da córnea onde serão feitas as incisões para a sua retirada. O corte com o laser pode ser feito em diversos formatos, minimizando o risco dos flaps, que são camadas finas de tecido. Com isso, o encaixe da nova córnea é bem mais preciso, o que minimiza o risco de rejeição”, pontua.

A aplicação do laser femtosegundo em transplante de córneas deve chegar a Brasília no primeiro semestre de 2011. O recurso será disponiblizado em algumas clínicas particulares. A cirurgia convencional de transplante de córnea é feita com um instrumento chamado trépano. “O corte é circular e pode ser feito manualmente ou a vácuo. Ele é seguro, mas o femtosegundo representa, sem dúvida, uma evolução”, reforça o oftalmologista especialista em córnea da Oftalmed Sérgio Elias Saraiva. Ele lembra que o transplante é sempre a última opção em tratamento para doenças como ceratocone, perda de transparência da córnea, endotéliopatias, traumatismos que provocam cortes ou furos que geram leucomas e úlceras. “São doenças que levam à cegueira. O transplante é sempre feito para salvar a visão do paciente. Hoje, os riscos de rejeição giram em torno de 8% a 10%”, acrescenta.

O pós-operatório exige repouso nos 15 dias que seguem o transplante. Os índices de complicações são baixos, mas existem. O paciente pode ser acometido por infecções, cataratas e glaucoma, por exemplo. Mas, segundo Saraiva, as condições da cirurgia convencional são boas e as perspectivas futuras, melhores ainda. “A evolução também contempla outros elementos fundamentais para o transplante, como fios de sutura, agulhas e conservantes, que preservam a córnea até que ela seja implantada”, observa.

Pesquisadores da Universidade de Linkoping, na Suécia, conduziram nos últimos dois anos uma pesquisa com córneas sintéticas em 10 pacientes. Membranas produzidas com colágeno artificial foram implantadas com leveduras e sequências de DNA humano. Os resultados do estudo, publicados na revista científica Science Translational Medicine, indicam que depois do transplante células e nervos cresceram dentro da estrutura pré-fabricada, melhorando a visão e não sendo rejeitados por nenhum dos voluntários.

Realidade brasileira
No Brasil, foram realizados, em 2009, quase 13 mil transplantes de córneas. A quantidade supera significativamente o número de transplantes de outros órgãos por diversos motivos. As córneas podem ser captadas até seis horas após a morte do doador, enquanto os órgãos sólidos precisam ser retirados de doadores em morte encefálica — coração batendo e respiração auxiliada por máquinas. As membranas duram até 14 dias nos bancos de olhos, enquanto que coração e pulmão, por exemplo, podem ficar somente seis horas fora do corpo. A cirurgia de córnea também tem a vantagem de ser realizada em ambulatórios, sem demandar internação.

No Distrito Federal, o candidato a receber uma córnea aguarda, em média, de dois a quatro meses na fila. Embora seja a unidade da Federação com maior média de procedimentos do país, totalizando 147 para cada um milhão de habitantes, o DF ainda não conseguiu zerar a fila. Atualmente, existem 33 pacientes preparados para o transplante e na expectativa de voltar a enxergar com nitidez. A espera pode chegar a três anos em regiões que não contam com boa estrutura de captação. Em compensação, São Paulo já conseguiu praticamente quitar a diferença entre oferta e demanda. O estado é responsável por metade dos procedimentos realizados no país.

Para receber uma nova córnea, o candidato precisa se inscrever no banco de olhos de seu estado. Os doadores devem deixar claro para a família o desejo de doar. Somente as córneas de pacientes com Aids, câncer ou hepatite B não podem ser aproveitadas. “Ao contrário do que pensam algumas famílias, a retirada das córneas não causa nenhuma deformação no corpo do doador”, explica Élcio Sato, oftalmologista e coordenador do departamento de tecidos da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (Abto).

O analista de suporte Giscard Camilo de Oliveira, 35 anos, vê o mundo com novas córneas desde o ano passado, quando fez o transplante no olho direito. A indicação da cirurgia veio em decorrência do ceratocone, doença que o obrigou a usar uma lente rígida para corrigir a deficiência visual — que chegou a 16 graus nesse olho. Giscard esperou um ano e meio na fila. Há três meses, foi a vez de o olho esquerdo receber uma nova córnea. “Vivi com uma lente muito incômoda nos olhos desde a adolescência. Tinha uma vida limitadíssima. Enxergar bem novamente foi uma conquista. A cirurgia foi muito tranquila, assim como o pós-operatório. Não ficou qualquer resquício de grau. Devo isso à generosidade de uma família que, em um momento difícil, soube pensar no próximo”, considera.

“Presente”
O segundo transplante da recepcionista Laís Crispim, 19 anos, foi feito no último dia 2. Ainda com os pontos na córnea, ela conta que o procedimento foi inevitável porque a vista foi ficando cada dia mais opaca. “Operei o olho direito em 2007, o grau do esquerdo não estava tão alto e o médico achou melhor aguardar. O ceratocone avançou e eu cheguei a usar uma lente de 20 graus. A sensação de voltar a enxergar é única. O transplante foi um presente”, desabafa a jovem.

As córneas doadas passam por um rigoroso processo de avaliação até chegarem aos olhos do receptor. Um recente levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária revelou que 51% das membranas captadas pelos bancos de olhos são descartadas. “Pode parecer muito, mas é uma questão de segurança. As córneas captadas são liberadas somente depois de passarem por uma triagem detalhada. A média mundial de descarte gira em torno de 40% a 50%. É uma medida preventiva. Não adianta trocar uma córnea doente por outra que não apresenta boas condições”, explica Sato.

Neuroadaptação: uma realidade que os pacientes devem conhecer

8 fev 2010 por Lotten Eyes    3 Comentários    Postado em: Neuroadaptação

Os pacientes, e mesmo os médicos oftalmologistas, dedicam-se muito a entender os caminhos dos olhos, mas pouco discutem acerca da visão. Nossa preocupação destina-se a discussões acerca da córnea, do cristalino, da retina e pouco se fala de sua integração neurológica. Muito embora estas estruturas sejam vitais, o sistema neural trabalha de forma integrada com os olhos e com suas diferentes estruturas intracerebrais e, comparativamente à estrutura de um computador com hardware e software, ainda de forma não totalmente compreendida pela comunidade científica.

Assim, ao interferirmos na correção da miopia, por exemplo, ou então ao removermos uma catarata, ocorre uma modificação do sistema visual para a qual o cérebro humano deve adaptar-se. Pequenas modificações impõem adaptações menores e modificações maiores impõem adaptações também maiores do nosso cérebro. Assim, fica latente que nem sempre a melhor tecnologia será facilmente adaptável e em muitas circunstâncias nem sempre é fácil orientar nossos pacientes para que tenham a devida paciência neste processo, mesmo porque é imprevisível cercar todas as variáveis envolvidas. Infelizmente, embora seja uma minoria, alguns destes pacientes jamais se adaptarão.

Este raciocínio fica muito claro quando implantamos lentes multifocais em pacientes submetidos à cirurgia de catarata e até mesmo na abordagem da presbiopia, isto é, da vista cansada. As lentes multifocais melhoram muito a qualidade de vida e em geral tem seu melhor resultado quando ambos os olhos tiverem sido operados. Independentemente disso, os pacientes precisam de um tempo para que alcancem o resultado final e um dos maiores desafios da atividade médica vem sendo o de saber transmitir ao paciente o fato de que todos passamos por este tipo de mecânica adaptativa. Num plano mais próximo, e considerando a mecânica da neuroadaptação, este raciocínio é valido também não só nos casos cirúrgicos, mas também no caminho para o entendimento do porquê de alguns pacientes se adaptarem tão bem ao uso de óculos multifocais e outros não conseguirem o mesmo.

Nossa visão nasce de uma captação do espectro luminoso e sua passagem pelos diferentes meios de dentro do olho, sendo estas ondas luminosas captadas por células localizadas na retina com características e finalidades bastante específicas. Existem fases de amadurecimento nas quais a plasticidade neurológica é maior, portanto deprivações que aconteçam na fase de maturação biológica (primeiros anos de vida) podem ser prejudiciais para o resto da vida. Até recentemente acreditava-se que o cérebro não seria capaz de gerar novas células cerebrais. Os conceitos atuais são que o cérebro está permanentemente mudando física e funcionalmente com a nossa atividade de pensar e aprender. A neurogênese é um processo continuo e que pode ser acelerado por estímulos físicos e mentais, ou retardado por outros, como o envelhecimento, stress, álcool e doenças degenerativas. Portanto, o processo neuroadaptativo acontece como nos casos de pacientes acometidos por acidente vascular cerebral.

O entendimento deste processo de neuroadaptação é fundamental para os pacientes que são submetidos à cirurgia refrativa e para a cirurgia de catarata, pois estas criam modificações que muitas vezes requerem tempo para que o êxito seja perceptível por parte do paciente. Lamentavelmente as discussões nascem do desejo sincero de que o grau residual seja o mínimo possível. Isto é, tangível, mas garanto aos senhores que como métrica para o sucesso não é suficiente.

Claudio Lottenberg.

Ceratocone, crosslink e anel intracorneano

28 jul 2009 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: Ceratocone

A córnea é uma estrutura lenticular que trabalha no olho com poder refrativo, isto é, tem importante papel óptico na formação das imagens. Formada por cinco camadas, ao apresentar uma fragilidade estrutural em uma delas, pode evoluir para um quadro de astigmatismo progressivo, que caracteriza as fases iniciais do ceratocone, culminando na necessidade de transplante de córnea. Sua relevância chama cada vez mais a atenção da comunidade cientifica e quase todos conhecem a importância dos transplantes de córnea nas reabilitações visuais. Entretanto, frente ao avançar do conhecimento, novos incrementos tecnológicos vêm permitindo que possamos diagnosticar doenças corneanas cada vez mais precocemente e atuar com maior segurança no atendimento.

Para sua melhor avaliação, a topografia da córnea permite um verdadeiro mapeamento dos detalhes desta estrutura. Este exame, juntamente com outros dados, inclui ou exclui candidatos à cirurgia refrativa e permite que detalhemos melhor os dados acerca do ceratocone, que é a doença que mais preocupa nas cirurgias refrativas de maneira geral. Caracterizado por um afinamento corneano não inflamatório bilateral, com incidência entre um em cada 2000 pessoas, caso não percebido nas formas mais frustras, pode trazer dissabores no futuro. Isto se aplica não só em relação a quem deseja operar seu grau refracional, mas também a quem se preocupa com o envelhecimento.

Tradicionalmente, os casos mais agressivos evoluíam para a necessidade de transplante de córnea. Imprevisível falar ainda em quem assim se encaminhará, mas hoje, antes deste processo evolutivo algumas medidas podem ser tomadas. Uma delas é o uso da tecnologia de “crosslinking” como elemento terapêutico e/ou regulador do ceratocone. Neste procedimento a córnea passa por um processo de retirada do epitélio (sua camada superficial que depois se refaz), recebe uma aplicação de uma substância de riboflavina, que atuando em âmbito molecular é irradiada por cerca de uma hora com luz ultra-violeta e que atua fortalecendo a estrutura corneana. Este processo, embora não resolva o ceratocone, impede sua progressão e faz com que ocorra uma estabilização.

Este é um avanço de muito significado. Não se aplicando somente aos casos de ceratocone, mas também aos pacientes que foram operados de miopia, astigmatismo e hipermetropia e que desenvolveram ectasisas corneanas, isto é, afinamentos progressivos. O “crosslinking” é uma ferramenta útil que permite de alguma maneira estagnar o processo evolutivo destas condições.

A primeira questão, porém, parte do diagnóstico deste afinamento, o que é mais fácil nos casos mais expressivos em sinais e sintomas, mas de grande dificuldade nas formas mais frustras. Estes últimos são pacientes sem qualquer sinal clínico e sem qualquer sintomatologia, mas que em algum exame complementar levanta alguma suspeita diagnóstica. Merecem muita atenção, pois podem mimetizar algumas condições de maior ou menor gravidade ou até mesmo serem casos que sejam conseqüência de uso excessivo de lentes de contacto. Neste ultimo grupo existe a necessidade de suspender o uso das lentes para sua melhor avaliação. O aumento da curvatura corneana ocorre, com afinamento do ápice e surgimento de astigmatismo irregular. Eventualmente uma forma de cone na superfície da córnea pode surgir facilitando o diagnóstico clinico. Entretanto antes do transplante, em córneas diagnosticadas como portadoras de ceratocone, sem grande processo cicatricial e respeitando-se alguns limites de espessura, existe a possibilidade da implantação de anéis na estrutura corneana. Estes anéis podem em alguns casos melhorar a qualidade visual graças a uma modelagem que incrementa tecido corneano na área central o que pode diminuir as aberrações visuais. Embora somente melhorem e não paralisem o processo evolutivo os anéis intraestromais podem postergar a necessidade de transplante de córnea sendo inclusive removíveis caso o resultado não seja o esperado. Uma alternativa que hoje se levanta é o da associação dos anéis com o tratamento de “crosslinking”. Um buscando melhoria visual e o outro buscando estabilização da doença.

Córnea, Cross Link, anéis e o novo tipo de Laser

5 fev 2009 por Lotten Eyes    4 Comentários    Postado em: Novas tecnologias

No passado escrevi sobre a córnea e as técnicas do Cross Link e hoje desejo retomar o assunto com uma visão mais abrangente acerca da própria córnea. Isto porque a patologia da córnea fina e a remoção tecidual causada pelo laser não é de interesse do paciente, o que é compartilhado por uma série de oftalmologistas. O laser, que tem inúmeros atributos tecnológicos, tem indicações precisas, porém, mesmo dentro do rigor necessário, complicações podem surgir e cabe ao médico saber como evitá-las ou como lidar com elas. O paciente, por outro lado, quer a visão perfeita e, mesmo nos casos em que o laser não é utilizado e a córnea afina por uma condição patológica, nosso papel é fazer o melhor sob o ponto de vista de sua visão.

A primeira questão parte do diagnóstico deste afinamento, o que é mais fácil nos casos mais expressivos em sinais e sintomas, mas de grande dificuldade nas formas mais frustras. Estes últimos são pacientes sem qualquer sinal clínico e sem qualquer sintomatologia, mas que em algum exame complementar levanta alguma suspeita diagnóstica. Estes casos merecem muita atenção, pois podem mimetizar algumas condições de maior ou menor gravidade ou até mesmo serem casos que sejam consequência de uso excessivo de lentes de contato. Neste último grupo existe a necessidade de suspender o uso das lentes, o que nem sempre pacientes e médicos acabam fazendo. É aqui a primeira ressalva que temos que fazer, pois cirurgia refrativa, por mais evoluída que possa ser, é um processo cirúrgico em área nobre do corpo e, assim como tudo, tem que ser tratada com muita rigidez e seriedade como requisito de seguraça para o paciente. Este deve suspender uso de lentes com orientação médica, repetir exames, estar disposto a dilatar a pupíla e, insisto com isso, pois muitas vezes as pessoas desejam banalizar o processo, o que não pode ser admitido quando se trata de saúde.

O ceratocone é a doença que mais nos preocupa nas cirurgias refrativas de maneira geral. Caracterizado por um afinamento corneano não inflamatório bilateral, com incidência entre um em cada 2000 pacientes da população. O aumento da curvatura corneana ocorre, com afinamento do ápice e surgimento de astigmatismo irregular. Eventualmente, uma forma de cone na superfície da córnea pode surgir. Embora o ceratocone sempre tenha merecido atenção médica, com o processo de cirurgias refrativas e com o próprio envelhecimento, merece cada vez mais atenção de todos. A questão é que num passado recente, afora o papel da adaptação de lentes e futuro transplante, quando necessário muito pouco podia ser feito, o que não é o caso dos dias de hoje. E ainda, em função das próprias ectasias corneanas que surgem como uma complicação da cirurgia refrativa a laser, muito pode ser feito no sentido de melhora visual. Portanto, um ponto positivo tanto para as doenças do olho herdadas como para aquelas que surgem como iatrogenia.

Falamos sobre o cross link e seu papel no fortalecimento da córnea em casos em evolução. Reforço hoje ainda mais este ponto. E diria ainda mais acerca desta ferramenta, pois ela propõe não só a estagnação de um quadro evolutivo, mas abre a perspectiva para outra inovações que podem ser úteis na restituição da qualidade visual. Portanto, hoje se aventa a possibilidade de fazer-se laser em pacientes portadores de ceratocone pós Cross link, a utilização de anéis corneanos aplicados quase que simultanemente em córneas que seriam submetidas a transplante e, portanto, uma simplificação e um acesso com menores riscos ao paciente. É claro que isso, em grande parte, ainda se encontra em estudo e cabe a nós enquanto médicos trazer aos pacientes as possibilidades, mas sempre dentro da realidade apoiada em evidências cientificas.

O próximo passo que estará em nosso alcance nos próximos meses será o Femtosecond Laser. Este recurso traz maior previsibilidade no corte da córnea. Com isso, aprimorará a forma do médico intervir na córnea com desdobramentos importantes em cirurgia refrativa, nos transplantes de córnea e no tratamento dos afinamentos de córnea como o ceratocone e as ectasias. Reprodutível e mais preciso na capacidade de mensuração traz enormes oportunidades na melhoria dos procedimentos. Com ele estaremos na vanguarda das possibilidades atuais para cirurgia de córnea, mas uma vez mais caberá ao médico equilíbrio e bom senso, evitando riscos, o que é fundamentalmente saber até onde esta tecnologia pode intervir.

A córnea, o ceratocone e os transplantes: novas oportunidades

24 nov 2008 por Lotten Eyes    2 Comentários    Postado em: Ceratocone, Transplante de córnea

A córnea é uma estrutura em forma de lente que trabalha no olho com poder refrativo, isto é, tem importante papel na formação das imagens. É nela que são realizadas a maioria das cirurgias que visam corrigir os erros refracionais, isto é, miopia, hipermetropia e astigmatismo.

Sua relevância chama cada vez mais a atenção da comunidade cientifica e quase todos conhecem a importância dos transplantes de córnea nas reabilitações visuais. Entretanto, frente ao avançar do conhecimento, novos incrementos tecnológicos vêm permitindo que possamos diagnosticar doenças corneanas cada vez mais precocemente e atuar com maior segurança no atendimento de nossos pacientes.

A partir disso, na maioria dos casos é valida uma melhor avaliação da análise topográfica da córnea, que é um verdadeiro mapeamento dos detalhes desta estrutura, feita de maneira habitual na prática assistencial oftalmológica. Este exame, juntamente com outros dados, inclui ou exclui candidatos à cirurgia refrativa e permite que conversemos acerca de uma doença chamada ceratocone por ele detectado, e uma inovação sobre a qual desejo, com vocês, conversar hoje.

A córnea é uma estrutura formada por cinco camadas. A fragilidade estrutural de uma delas pode evoluir para um quadro de astigmatismo progressivo com evoluções permanentes de alta proporção, que podem até culminar em um transplante de córnea. O exame topográfico permite acompanhar a evolução deste quadro.

O fato é que com o envelhecimento, com as cirurgias refrativas e suas consequências, este enfraquecimento cada vez mais se fará presente e, portanto, isso vem se tornando um ponto de importância na visão de um processo assistencial médico-oftalmológico. Durante minha estada na Academia Americana de Oftalmologia, uma das coisas que mais conversamos foi sobre o uso da tecnologia de “cross-link” como elemento terapêutico e/ou regulador do ceratocone. Neste procedimento a córnea passa por um processo de retirada do epitélio (sua camada superficial que depois se refaz), recebe a aplicação de uma substancia de riboflavina que, atuando em âmbito molecular, é irradiada por cerca de uma hora, fortalecendo a estrutura corneana.

Certamente tudo o  que escrevi deve parecer aos olhos de um leigo muito técnico. Mas de fato o importante é a pergunta que formulo a seguir: Isto resolve o ceratocone? Parece que não resolve, mas o fato é que isto impede a progressão e faz com que ocorra uma estabilidade que nos traz novas oportunidades terapêuticas. Em outras palavras, o cross-link “segura” a progressão do ceratocone e culmina com uma oportunidade para medidas menos agressivas, que num extremo poderia incorrer em um transplante de córnea.

Considero isso um avanço de muito significado. Não se aplica somente aos casos de ceratocone, mas também aos pacientes que foram operados de miopia, astigmatismo e hipermetropia e que desenvolveram ectasisas corneanas, isto é, afinamentos progressivos.

A demanda por esta técnica, uma vez disseminada a informação e o conhecimento, deverá ser grande, posto que a prevalência do ceratocone é alta na população. Ganha o paciente, que passa a ter uma alternativa clinica que não existia no passado. Ganha o médico, que tem agora o que oferecer, e não simplesmente acompanhar. Ganha o sistema de saúde, que necessitará possivelmente de menos córneas para transplante e com um ônus muito menor na perspectiva da sustentabilidade.

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