Marcados com " cirurgia refrativa"

Em 10 minutos cirurgia corrige miopia

16 jan 2012 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: Notícias

Dr. Cláudio Lottenberg, oftalmologista e presidente do Hospital Albert Einstein, demonstra as duas técnicas cirúrgicas para correção de grau e discute seus benefícios e riscos.

Fonte: Veja – Saúde

Neuroadaptação: uma realidade que os pacientes devem conhecer

8 fev 2010 por Lotten Eyes    3 Comentários    Postado em: Neuroadaptação

Os pacientes, e mesmo os médicos oftalmologistas, dedicam-se muito a entender os caminhos dos olhos, mas pouco discutem acerca da visão. Nossa preocupação destina-se a discussões acerca da córnea, do cristalino, da retina e pouco se fala de sua integração neurológica. Muito embora estas estruturas sejam vitais, o sistema neural trabalha de forma integrada com os olhos e com suas diferentes estruturas intracerebrais e, comparativamente à estrutura de um computador com hardware e software, ainda de forma não totalmente compreendida pela comunidade científica.

Assim, ao interferirmos na correção da miopia, por exemplo, ou então ao removermos uma catarata, ocorre uma modificação do sistema visual para a qual o cérebro humano deve adaptar-se. Pequenas modificações impõem adaptações menores e modificações maiores impõem adaptações também maiores do nosso cérebro. Assim, fica latente que nem sempre a melhor tecnologia será facilmente adaptável e em muitas circunstâncias nem sempre é fácil orientar nossos pacientes para que tenham a devida paciência neste processo, mesmo porque é imprevisível cercar todas as variáveis envolvidas. Infelizmente, embora seja uma minoria, alguns destes pacientes jamais se adaptarão.

Este raciocínio fica muito claro quando implantamos lentes multifocais em pacientes submetidos à cirurgia de catarata e até mesmo na abordagem da presbiopia, isto é, da vista cansada. As lentes multifocais melhoram muito a qualidade de vida e em geral tem seu melhor resultado quando ambos os olhos tiverem sido operados. Independentemente disso, os pacientes precisam de um tempo para que alcancem o resultado final e um dos maiores desafios da atividade médica vem sendo o de saber transmitir ao paciente o fato de que todos passamos por este tipo de mecânica adaptativa. Num plano mais próximo, e considerando a mecânica da neuroadaptação, este raciocínio é valido também não só nos casos cirúrgicos, mas também no caminho para o entendimento do porquê de alguns pacientes se adaptarem tão bem ao uso de óculos multifocais e outros não conseguirem o mesmo.

Nossa visão nasce de uma captação do espectro luminoso e sua passagem pelos diferentes meios de dentro do olho, sendo estas ondas luminosas captadas por células localizadas na retina com características e finalidades bastante específicas. Existem fases de amadurecimento nas quais a plasticidade neurológica é maior, portanto deprivações que aconteçam na fase de maturação biológica (primeiros anos de vida) podem ser prejudiciais para o resto da vida. Até recentemente acreditava-se que o cérebro não seria capaz de gerar novas células cerebrais. Os conceitos atuais são que o cérebro está permanentemente mudando física e funcionalmente com a nossa atividade de pensar e aprender. A neurogênese é um processo continuo e que pode ser acelerado por estímulos físicos e mentais, ou retardado por outros, como o envelhecimento, stress, álcool e doenças degenerativas. Portanto, o processo neuroadaptativo acontece como nos casos de pacientes acometidos por acidente vascular cerebral.

O entendimento deste processo de neuroadaptação é fundamental para os pacientes que são submetidos à cirurgia refrativa e para a cirurgia de catarata, pois estas criam modificações que muitas vezes requerem tempo para que o êxito seja perceptível por parte do paciente. Lamentavelmente as discussões nascem do desejo sincero de que o grau residual seja o mínimo possível. Isto é, tangível, mas garanto aos senhores que como métrica para o sucesso não é suficiente.

Claudio Lottenberg.

Ceratocone, crosslink e anel intracorneano

28 jul 2009 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: Ceratocone

A córnea é uma estrutura lenticular que trabalha no olho com poder refrativo, isto é, tem importante papel óptico na formação das imagens. Formada por cinco camadas, ao apresentar uma fragilidade estrutural em uma delas, pode evoluir para um quadro de astigmatismo progressivo, que caracteriza as fases iniciais do ceratocone, culminando na necessidade de transplante de córnea. Sua relevância chama cada vez mais a atenção da comunidade cientifica e quase todos conhecem a importância dos transplantes de córnea nas reabilitações visuais. Entretanto, frente ao avançar do conhecimento, novos incrementos tecnológicos vêm permitindo que possamos diagnosticar doenças corneanas cada vez mais precocemente e atuar com maior segurança no atendimento.

Para sua melhor avaliação, a topografia da córnea permite um verdadeiro mapeamento dos detalhes desta estrutura. Este exame, juntamente com outros dados, inclui ou exclui candidatos à cirurgia refrativa e permite que detalhemos melhor os dados acerca do ceratocone, que é a doença que mais preocupa nas cirurgias refrativas de maneira geral. Caracterizado por um afinamento corneano não inflamatório bilateral, com incidência entre um em cada 2000 pessoas, caso não percebido nas formas mais frustras, pode trazer dissabores no futuro. Isto se aplica não só em relação a quem deseja operar seu grau refracional, mas também a quem se preocupa com o envelhecimento.

Tradicionalmente, os casos mais agressivos evoluíam para a necessidade de transplante de córnea. Imprevisível falar ainda em quem assim se encaminhará, mas hoje, antes deste processo evolutivo algumas medidas podem ser tomadas. Uma delas é o uso da tecnologia de “crosslinking” como elemento terapêutico e/ou regulador do ceratocone. Neste procedimento a córnea passa por um processo de retirada do epitélio (sua camada superficial que depois se refaz), recebe uma aplicação de uma substância de riboflavina, que atuando em âmbito molecular é irradiada por cerca de uma hora com luz ultra-violeta e que atua fortalecendo a estrutura corneana. Este processo, embora não resolva o ceratocone, impede sua progressão e faz com que ocorra uma estabilização.

Este é um avanço de muito significado. Não se aplicando somente aos casos de ceratocone, mas também aos pacientes que foram operados de miopia, astigmatismo e hipermetropia e que desenvolveram ectasisas corneanas, isto é, afinamentos progressivos. O “crosslinking” é uma ferramenta útil que permite de alguma maneira estagnar o processo evolutivo destas condições.

A primeira questão, porém, parte do diagnóstico deste afinamento, o que é mais fácil nos casos mais expressivos em sinais e sintomas, mas de grande dificuldade nas formas mais frustras. Estes últimos são pacientes sem qualquer sinal clínico e sem qualquer sintomatologia, mas que em algum exame complementar levanta alguma suspeita diagnóstica. Merecem muita atenção, pois podem mimetizar algumas condições de maior ou menor gravidade ou até mesmo serem casos que sejam conseqüência de uso excessivo de lentes de contacto. Neste ultimo grupo existe a necessidade de suspender o uso das lentes para sua melhor avaliação. O aumento da curvatura corneana ocorre, com afinamento do ápice e surgimento de astigmatismo irregular. Eventualmente uma forma de cone na superfície da córnea pode surgir facilitando o diagnóstico clinico. Entretanto antes do transplante, em córneas diagnosticadas como portadoras de ceratocone, sem grande processo cicatricial e respeitando-se alguns limites de espessura, existe a possibilidade da implantação de anéis na estrutura corneana. Estes anéis podem em alguns casos melhorar a qualidade visual graças a uma modelagem que incrementa tecido corneano na área central o que pode diminuir as aberrações visuais. Embora somente melhorem e não paralisem o processo evolutivo os anéis intraestromais podem postergar a necessidade de transplante de córnea sendo inclusive removíveis caso o resultado não seja o esperado. Uma alternativa que hoje se levanta é o da associação dos anéis com o tratamento de “crosslinking”. Um buscando melhoria visual e o outro buscando estabilização da doença.

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