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Catarata: saiba mais

16 jun 2011 por Lotten Eyes    8 Comentários    Postado em: Catarata

Catarata é a opacificação do cristalino (a lente natural do nosso olho) cuja causa mais frequente é o processo natural de envelhecimento dos olhos, que ocorre a partir dos 40 anos, sendo o aparecimento dos sintomas principalmente a partir dos 50 anos.  A catarata senil é comumente bilateral e simétrica. Outras causas comuns são:

  • Trauma: geralmente unilateral, ocorre independente da idade
  • Uso de medicamentos: como corticosteróides;
  • Doenças, como diabetes, galactosemia, doenças renais;
  • Congênita: presente ao nascimento;
  • Infecções e inflamações oculares;
  • Cirurgias intra-oculares prévias, como vitrectomia, e cirurgias antiglaucomatosas.

O desenvolvimento da catarata pode ser muito lento, levando anos para se notar sintomas acentuados, mas também pode aumentar mais rapidamente e, portanto comprometendo a visão de uma forma importante, sendo necessária a cirurgia de catarata para a reabilitação visual.

A cirurgia de catarata é feita através da emulsificação do cristalino, isto é, o núcleo é microfragmentado por uma ponteira ultrassônica, e então aspirado.

Após retirado todo o cristalino, é implantado uma lente intra-ocular no lugar que antes ficava o cristalino. Essa lente possui um determinado grau, calculado nos exames pré-operatórios, e que substitui o grau dos óculos para a distância de longe em muitos casos e dependendo do tipo da lente, podendo até deixar o indivíduo independente dos óculos em todas as distâncias.

Tipos de lentes:

Atualmente há vários tipos de lentes. Cada lente tem sua determinada indicação, que deve ser feita pelo médico oftalmologista especialista.

Hoje em dia, as lentes podem corrigir a visão nas distâncias de perto e de longe ao mesmo tempo, podem corrigir o astigmatismo, ou simplesmente restabelecer a visão ao que era antes de se desenvolver a catarata.

A cirurgia de catarata dura em média 20 minutos e a anestesia é feita através de colírios, possibilitando ao paciente retornar a sua casa logo após o procedimento.

Após a cirurgia de catarata o paciente deve usar os colírios de forma correta conforme orientação de seu médico oftalmologista para evitar inflamações e infecções manter um repouso relativo, isto é, não deve fazer esforços físicos, para se evitar complicações pós-operatórias.

Dra. Cristina Carossa – Oftalmologista Especialista em Catarata

Cirurgia com laser: operações nas córneas mais precisas

6 dez 2010 por Lotten Eyes    12 Comentários    Postado em: Novas tecnologias

Embora seja frágil e praticamente imperceptível, a córnea, aquela camada transparente que cobre a pupila e a íris dos olhos, carrega a importante missão de proteger a visão. Dependendo de suas condições, ela nos permite ou não enxergar com nitidez. Quando comprometida por traumas ou doenças, faz com que o mundo fique embaçado ou totalmente escuro. Danos a essa membrana são a segunda maior causa de cegueira reversível no planeta. Para muitos pacientes, o transplante representa a única chance de voltar a enxergar. De alguns anos para cá, a tecnologia tem contribuído para que o procedimento seja realizado com menos risco. O laser vem proporcionando cirurgias mais precisas e planejadas para os olhos que necessitam de novas córneas. No entanto, além do recurso que trouxe mais segurança para o transplante, os pacientes também dependem do ato de amor de pessoas que acabaram de perder um familiar.

O laser de femtosegundo — pulso ultrarrápido com cerca de um milésimo de bilionésimo de segundo aplicado com altíssima potência — é o mais novo aliado de pacientes que precisam do transplante de córnea. A energia já era usada em cirurgias de miopia, astigmatismo e implantes de anéis intracorneanos. De acordo com o oftalmologista Cláudio Luiz Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o femtosegundo vem proporcionando ótimos resultados. Ele explica que esse recurso permite um planejamento milimétrico do transplante. “Com o auxílio de um software, fazemos um mapeamento detalhado dos pontos da córnea onde serão feitas as incisões para a sua retirada. O corte com o laser pode ser feito em diversos formatos, minimizando o risco dos flaps, que são camadas finas de tecido. Com isso, o encaixe da nova córnea é bem mais preciso, o que minimiza o risco de rejeição”, pontua.

A aplicação do laser femtosegundo em transplante de córneas deve chegar a Brasília no primeiro semestre de 2011. O recurso será disponiblizado em algumas clínicas particulares. A cirurgia convencional de transplante de córnea é feita com um instrumento chamado trépano. “O corte é circular e pode ser feito manualmente ou a vácuo. Ele é seguro, mas o femtosegundo representa, sem dúvida, uma evolução”, reforça o oftalmologista especialista em córnea da Oftalmed Sérgio Elias Saraiva. Ele lembra que o transplante é sempre a última opção em tratamento para doenças como ceratocone, perda de transparência da córnea, endotéliopatias, traumatismos que provocam cortes ou furos que geram leucomas e úlceras. “São doenças que levam à cegueira. O transplante é sempre feito para salvar a visão do paciente. Hoje, os riscos de rejeição giram em torno de 8% a 10%”, acrescenta.

O pós-operatório exige repouso nos 15 dias que seguem o transplante. Os índices de complicações são baixos, mas existem. O paciente pode ser acometido por infecções, cataratas e glaucoma, por exemplo. Mas, segundo Saraiva, as condições da cirurgia convencional são boas e as perspectivas futuras, melhores ainda. “A evolução também contempla outros elementos fundamentais para o transplante, como fios de sutura, agulhas e conservantes, que preservam a córnea até que ela seja implantada”, observa.

Pesquisadores da Universidade de Linkoping, na Suécia, conduziram nos últimos dois anos uma pesquisa com córneas sintéticas em 10 pacientes. Membranas produzidas com colágeno artificial foram implantadas com leveduras e sequências de DNA humano. Os resultados do estudo, publicados na revista científica Science Translational Medicine, indicam que depois do transplante células e nervos cresceram dentro da estrutura pré-fabricada, melhorando a visão e não sendo rejeitados por nenhum dos voluntários.

Realidade brasileira
No Brasil, foram realizados, em 2009, quase 13 mil transplantes de córneas. A quantidade supera significativamente o número de transplantes de outros órgãos por diversos motivos. As córneas podem ser captadas até seis horas após a morte do doador, enquanto os órgãos sólidos precisam ser retirados de doadores em morte encefálica — coração batendo e respiração auxiliada por máquinas. As membranas duram até 14 dias nos bancos de olhos, enquanto que coração e pulmão, por exemplo, podem ficar somente seis horas fora do corpo. A cirurgia de córnea também tem a vantagem de ser realizada em ambulatórios, sem demandar internação.

No Distrito Federal, o candidato a receber uma córnea aguarda, em média, de dois a quatro meses na fila. Embora seja a unidade da Federação com maior média de procedimentos do país, totalizando 147 para cada um milhão de habitantes, o DF ainda não conseguiu zerar a fila. Atualmente, existem 33 pacientes preparados para o transplante e na expectativa de voltar a enxergar com nitidez. A espera pode chegar a três anos em regiões que não contam com boa estrutura de captação. Em compensação, São Paulo já conseguiu praticamente quitar a diferença entre oferta e demanda. O estado é responsável por metade dos procedimentos realizados no país.

Para receber uma nova córnea, o candidato precisa se inscrever no banco de olhos de seu estado. Os doadores devem deixar claro para a família o desejo de doar. Somente as córneas de pacientes com Aids, câncer ou hepatite B não podem ser aproveitadas. “Ao contrário do que pensam algumas famílias, a retirada das córneas não causa nenhuma deformação no corpo do doador”, explica Élcio Sato, oftalmologista e coordenador do departamento de tecidos da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (Abto).

O analista de suporte Giscard Camilo de Oliveira, 35 anos, vê o mundo com novas córneas desde o ano passado, quando fez o transplante no olho direito. A indicação da cirurgia veio em decorrência do ceratocone, doença que o obrigou a usar uma lente rígida para corrigir a deficiência visual — que chegou a 16 graus nesse olho. Giscard esperou um ano e meio na fila. Há três meses, foi a vez de o olho esquerdo receber uma nova córnea. “Vivi com uma lente muito incômoda nos olhos desde a adolescência. Tinha uma vida limitadíssima. Enxergar bem novamente foi uma conquista. A cirurgia foi muito tranquila, assim como o pós-operatório. Não ficou qualquer resquício de grau. Devo isso à generosidade de uma família que, em um momento difícil, soube pensar no próximo”, considera.

“Presente”
O segundo transplante da recepcionista Laís Crispim, 19 anos, foi feito no último dia 2. Ainda com os pontos na córnea, ela conta que o procedimento foi inevitável porque a vista foi ficando cada dia mais opaca. “Operei o olho direito em 2007, o grau do esquerdo não estava tão alto e o médico achou melhor aguardar. O ceratocone avançou e eu cheguei a usar uma lente de 20 graus. A sensação de voltar a enxergar é única. O transplante foi um presente”, desabafa a jovem.

As córneas doadas passam por um rigoroso processo de avaliação até chegarem aos olhos do receptor. Um recente levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária revelou que 51% das membranas captadas pelos bancos de olhos são descartadas. “Pode parecer muito, mas é uma questão de segurança. As córneas captadas são liberadas somente depois de passarem por uma triagem detalhada. A média mundial de descarte gira em torno de 40% a 50%. É uma medida preventiva. Não adianta trocar uma córnea doente por outra que não apresenta boas condições”, explica Sato.

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