Verão e férias: cuide bem dos seus olhos

5 jan 2011 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: Cuidados com a visão

O verão não pode ser um obstáculo na qualidade de sua saúde ocular. Caso alguns cuidados sejam tomados, você evitará muitas das razões que lhe fazem procurar um médico oftalmologista em condições de emergência.

1-Uso de óculos com filtro solar (óculos escuros)

Muitos pacientes nos procuram por queimadura solar em suas córneas, o que efetivamente poderia ser evitado caso estivessem fazendo uso de óculos com proteção a radiação ultravioleta, além da utlização criteriosa de lubrificante ocular (lágrima artificial). Quadros desta natureza são denominados genericamente como ceratite e a dor é muito forte. Afora isto vale lembrar que a velocidade da evolução da catarata é muito maior em pacientes que não usam óculos escuros quando comparados aos que os utilizam

2-Proteção dos olhos nas tarefas caseiras

Não menos freqüente, o fato de nossos pacientes nos procurarem em função de acidentes domésticos é fruto de tarefas que normalmente não realizamos e que nas férias são objeto inclusive de recreação. Trata-se de um trabalho manual de carpintaria, uma soldadura e que exigem de TODOS óculos de proteção de maneira rotineira.

3-Proteção dos olhos em praticas esportivas

Há um aforisma que diz quanto maior a bola menor a consequência do trauma. Quem sabe por isto que cada vez mais nos procuram pacientes em função de traumas com paintball, bola de tênis, afora os demais que podem ter riscos menores, mas que efetivamente existem. Portanto, importante ressaltar a necessidade de proteger os olhos em determinadas modalidades esportivas. O olho localiza-se em um estojo ósseo (órbita), mas esta não é suficiente para proteção em todas as condições advindas de traumatismos.

4-Contato com substâncias químicas

Muito cuidado na utilização imprópria de colírios. Recebemos muitos pacientes, que por falta de organização dos frascos similares aos de colírios, utilizam indevidamente substâncias para outras finalidades, o que podem ocasionar infamações, lesões oculares. Além disto, não é infrequente que nas piscinas entremos em contato com substâncias irritativas, infecciosas ou não , mas que causam forte desconforto. Em ambas situações, a conduta é a de lavar intensamente com água corrente e no máximo utlizar-se lubrificante tópico ocular. Recomenda-se que o paciente seja examinado por um médico especialista.
Cuidado com mordidas de insetos, pois a região ao redor dos olhos é altamente infectante, além disto, é uma região onde não podemos colocar repelente.

5-Outros cuidados

Recomendo ainda cuidado com uso de “armas de brinquedo” que possam conter materiais que eliminem algum tipo de detrito e que possam invadir as estruturas oculares mesmo que externas. Cuidados com arame farpado, líquidos de baterias velhas e minha especial recomendação para os cuidados extras que devem ter os pacientes que tenham sido submetidos previamente a cirurgias oculares e cirurgia refrativa em particular.

Cirurgia com laser: operações nas córneas mais precisas

6 dez 2010 por Lotten Eyes    12 Comentários    Postado em: Novas tecnologias

Embora seja frágil e praticamente imperceptível, a córnea, aquela camada transparente que cobre a pupila e a íris dos olhos, carrega a importante missão de proteger a visão. Dependendo de suas condições, ela nos permite ou não enxergar com nitidez. Quando comprometida por traumas ou doenças, faz com que o mundo fique embaçado ou totalmente escuro. Danos a essa membrana são a segunda maior causa de cegueira reversível no planeta. Para muitos pacientes, o transplante representa a única chance de voltar a enxergar. De alguns anos para cá, a tecnologia tem contribuído para que o procedimento seja realizado com menos risco. O laser vem proporcionando cirurgias mais precisas e planejadas para os olhos que necessitam de novas córneas. No entanto, além do recurso que trouxe mais segurança para o transplante, os pacientes também dependem do ato de amor de pessoas que acabaram de perder um familiar.

O laser de femtosegundo — pulso ultrarrápido com cerca de um milésimo de bilionésimo de segundo aplicado com altíssima potência — é o mais novo aliado de pacientes que precisam do transplante de córnea. A energia já era usada em cirurgias de miopia, astigmatismo e implantes de anéis intracorneanos. De acordo com o oftalmologista Cláudio Luiz Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o femtosegundo vem proporcionando ótimos resultados. Ele explica que esse recurso permite um planejamento milimétrico do transplante. “Com o auxílio de um software, fazemos um mapeamento detalhado dos pontos da córnea onde serão feitas as incisões para a sua retirada. O corte com o laser pode ser feito em diversos formatos, minimizando o risco dos flaps, que são camadas finas de tecido. Com isso, o encaixe da nova córnea é bem mais preciso, o que minimiza o risco de rejeição”, pontua.

A aplicação do laser femtosegundo em transplante de córneas deve chegar a Brasília no primeiro semestre de 2011. O recurso será disponiblizado em algumas clínicas particulares. A cirurgia convencional de transplante de córnea é feita com um instrumento chamado trépano. “O corte é circular e pode ser feito manualmente ou a vácuo. Ele é seguro, mas o femtosegundo representa, sem dúvida, uma evolução”, reforça o oftalmologista especialista em córnea da Oftalmed Sérgio Elias Saraiva. Ele lembra que o transplante é sempre a última opção em tratamento para doenças como ceratocone, perda de transparência da córnea, endotéliopatias, traumatismos que provocam cortes ou furos que geram leucomas e úlceras. “São doenças que levam à cegueira. O transplante é sempre feito para salvar a visão do paciente. Hoje, os riscos de rejeição giram em torno de 8% a 10%”, acrescenta.

O pós-operatório exige repouso nos 15 dias que seguem o transplante. Os índices de complicações são baixos, mas existem. O paciente pode ser acometido por infecções, cataratas e glaucoma, por exemplo. Mas, segundo Saraiva, as condições da cirurgia convencional são boas e as perspectivas futuras, melhores ainda. “A evolução também contempla outros elementos fundamentais para o transplante, como fios de sutura, agulhas e conservantes, que preservam a córnea até que ela seja implantada”, observa.

Pesquisadores da Universidade de Linkoping, na Suécia, conduziram nos últimos dois anos uma pesquisa com córneas sintéticas em 10 pacientes. Membranas produzidas com colágeno artificial foram implantadas com leveduras e sequências de DNA humano. Os resultados do estudo, publicados na revista científica Science Translational Medicine, indicam que depois do transplante células e nervos cresceram dentro da estrutura pré-fabricada, melhorando a visão e não sendo rejeitados por nenhum dos voluntários.

Realidade brasileira
No Brasil, foram realizados, em 2009, quase 13 mil transplantes de córneas. A quantidade supera significativamente o número de transplantes de outros órgãos por diversos motivos. As córneas podem ser captadas até seis horas após a morte do doador, enquanto os órgãos sólidos precisam ser retirados de doadores em morte encefálica — coração batendo e respiração auxiliada por máquinas. As membranas duram até 14 dias nos bancos de olhos, enquanto que coração e pulmão, por exemplo, podem ficar somente seis horas fora do corpo. A cirurgia de córnea também tem a vantagem de ser realizada em ambulatórios, sem demandar internação.

No Distrito Federal, o candidato a receber uma córnea aguarda, em média, de dois a quatro meses na fila. Embora seja a unidade da Federação com maior média de procedimentos do país, totalizando 147 para cada um milhão de habitantes, o DF ainda não conseguiu zerar a fila. Atualmente, existem 33 pacientes preparados para o transplante e na expectativa de voltar a enxergar com nitidez. A espera pode chegar a três anos em regiões que não contam com boa estrutura de captação. Em compensação, São Paulo já conseguiu praticamente quitar a diferença entre oferta e demanda. O estado é responsável por metade dos procedimentos realizados no país.

Para receber uma nova córnea, o candidato precisa se inscrever no banco de olhos de seu estado. Os doadores devem deixar claro para a família o desejo de doar. Somente as córneas de pacientes com Aids, câncer ou hepatite B não podem ser aproveitadas. “Ao contrário do que pensam algumas famílias, a retirada das córneas não causa nenhuma deformação no corpo do doador”, explica Élcio Sato, oftalmologista e coordenador do departamento de tecidos da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (Abto).

O analista de suporte Giscard Camilo de Oliveira, 35 anos, vê o mundo com novas córneas desde o ano passado, quando fez o transplante no olho direito. A indicação da cirurgia veio em decorrência do ceratocone, doença que o obrigou a usar uma lente rígida para corrigir a deficiência visual — que chegou a 16 graus nesse olho. Giscard esperou um ano e meio na fila. Há três meses, foi a vez de o olho esquerdo receber uma nova córnea. “Vivi com uma lente muito incômoda nos olhos desde a adolescência. Tinha uma vida limitadíssima. Enxergar bem novamente foi uma conquista. A cirurgia foi muito tranquila, assim como o pós-operatório. Não ficou qualquer resquício de grau. Devo isso à generosidade de uma família que, em um momento difícil, soube pensar no próximo”, considera.

“Presente”
O segundo transplante da recepcionista Laís Crispim, 19 anos, foi feito no último dia 2. Ainda com os pontos na córnea, ela conta que o procedimento foi inevitável porque a vista foi ficando cada dia mais opaca. “Operei o olho direito em 2007, o grau do esquerdo não estava tão alto e o médico achou melhor aguardar. O ceratocone avançou e eu cheguei a usar uma lente de 20 graus. A sensação de voltar a enxergar é única. O transplante foi um presente”, desabafa a jovem.

As córneas doadas passam por um rigoroso processo de avaliação até chegarem aos olhos do receptor. Um recente levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária revelou que 51% das membranas captadas pelos bancos de olhos são descartadas. “Pode parecer muito, mas é uma questão de segurança. As córneas captadas são liberadas somente depois de passarem por uma triagem detalhada. A média mundial de descarte gira em torno de 40% a 50%. É uma medida preventiva. Não adianta trocar uma córnea doente por outra que não apresenta boas condições”, explica Sato.

Por uma saúde sustentável

19 nov 2010 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: De olho na saúde

A resistência da sociedade civil brasileira ao retomo da CPMF é legítima e revela um amadurecimento de sua atuação política. Protestar contra a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira não representa, como eventualmente possa parecer, uma atitude mesquinha de se evitar prejuízos financeiros pessoais.
Diferentemente disso, esse posicionamento mostra que a nação aumentou seu grau de exigência por transparência e mais rigor no acompanhamento da captação e principalmente, do destino dos recursos públicos.

Com clareza sobre a distribuição dos montantes arrecadados para o sistema de saúde aplicação de maior inteligência administrativa, o brasileiro seria suficiente mente compreensivo com a adoção de taxas dessa natureza, já que estaria mais seguro com a concretização das ações do Estado nessa arca.

No mundo todo, a carga tributária aumenta ao longo da história para atender aos interesses coletivos e às mudanças influenciadas, por exemplo, pelo crescimento populacional, oscilações econômicas e conseqüentes fenômenos de ordem sociológica. Nem sempre as medidas relacionadas a impostos criaram mobilizações de oposição. É algo a ser analisado e mais um indicativo de que o governo deve reconhecer que a resolução de problemas nessa área deve ser focada mais em estrutura do que somente em subterfúgios paliativos de financiamento.

Sabemos que os custos da saúde tendem a aumentar pelas novas e importantes tecnologias, por conta da ausência de bons programas de prevenção e, principalmente, pelo envelhecimento populacional, que é considerado o fator que mais irá sobrecarregar as finanças do SUS em um futuro próximo. Por conta dessa realidade, a população precisa exigir mais ações institucionalmente sustentáveis e perenes.
A Emenda 29, de setembro de 2000. Assegura os recursos mínimos para financiamento das ações e serviços públicos de saúde. A definição sobre o que significa o gasto nessa área passou a dificultar o desvio de dinheiro para outros fins. No entanto, precisamos de uma metodologia que permita controlar esses recursos dentro do próprio sistema de saúde. E isso é um dos diversos pontos sensíveis de uma gama de ajustes para a resolução sustentável dos desafios do SUS.

É preciso aplicar modelos de gestão mais eficazes para aperfeiçoar o uso do aparelho disponível. Além da falta de regulação para destinar verbas, estamos carentes de uma organização gerencial mais qualificada na administração pública, com capacidade técnica e entendimento das necessidades e peculiaridades regionais. Falta também esclarecer lideranças e a própria sociedade sobre o fato de que saúde não se constrói apenas com mais leitos e unidades hospitalares – destino de recursos provenientes de impostos como a CPMF. É por conta desse tipo de mentalidade que se perpetuam as deficiências de um serviço que deveria dar conta de um direito universal para o nosso desenvolvimento como nação.
Para lidar com uma nova realidade da medicina, que tenta responder às necessidades grandes demanda e altos custos, o profissional de saúde não pode se limitar ao conhecimento técnico da prática hospitalar. A nova gestão exige um perfil que entenda os desafios da área e se integre as práticas de excelência, que vão desde a aplicação de protocolos médicos mais bem delineados a modelos de atendimento que buscam mais prevenir do que tratar. A necessidade é clara, mas sempre nos deparamos com a fraqueza de capacitação de mão de obra e a tradicional morosidade e burocracia do funcionalismo publico.

Precisamos contar com profissionais capacitados, para lidar com desafios gerenciais relativos a planejamento e altos custos. Ao passo que a medicina avança, a tecnologia encarece a prestação de serviços, e a indústria de insumos hospitalares e farmacêuticos se aquece pela busca frenética por lucratividade. Isso dificulta a ponta da cadeia responsável pelo rendimento ao paciente.
Conceitualmente, o SUS é um bom sistema e realizou diversas ações lúcidas, como o Programa Saúde da Família e a aplicação das AMAS, mas está carente de um Plano Diretor, que amplie a visão estreita até então incapaz de resolver seus principais problemas. O retomo da CPMF vai dar continuidade ao estimulo do desperdício de dinheiro público, estendendo e talvez amplificando suas deficiências. Antes de consolidar as origens de seu financiamento, o SUS precisa de plataforma estrutural consistente, que possibilite mais transparência. Isso só poderá ser viabilizado com avançadas praticas de gestão e continuidade da exigência do brasileiro por ações sensatas, eticamente inquestionáveis e de caráter duradouro.

CLÁUDIO LUIZ LOTTENBERG
EX-SECRETÁRIO DA SAÚDE DE SÃO PAULO, É PRESIDENTE DO HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN

Matéria publicada no jornal “O Estado de São Paulo” em 14/11/2010.

A tecnologia a favor da visão

8 nov 2010 por Lotten Eyes    2 Comentários    Postado em: Cirurgias

São necessários mínimos 30 segundos para aposentar os óculos ou abandonar as lentes de contato. As cirurgias de correção de miopia, hipermetropia e astigmatismo – problemas oculares – oferecem uma técnica de sucesso, com baixo índice de erro. A liberdade visual, porém, não é tão democrática. Nem todos os olhos podem ser corrigidos mecanicamente.

O mercado brasileiro oferece três opções de procedimentos. O laser não é novo. A novidade na área nacional, ainda incorporada por poucos hospitais, é a utilização de um aparelho mais moderno, que utiliza dois tipos de laser. É este procedimento o responsável por corrigir o grau dos pilotos da Força Aérea Americana, revela Ana Luiza Hofling de Lima, chefe da equipe de oftalmologia do Hospital 9 de Julho de São Paulo.

“A técnica eleva o custo do procedimento tradicional, feito com apenas um laser, mas minimiza as imperfeições da córnea e diminui os riscos do pós-operatório. Em geral, essas cirurgias não apresentam problema na aplicação, mas sim no processo de cicatrização.”

A tecnologia do aparelho a laser, utilizado para modelar a córnea e eliminar as imperfeições – o grau – garante precisão e diminui a possibilidade de erro. Os especialistas alertam, entretanto, que a cegueira ou perda de visão, embora raras, são sequelas provocadas pela má avaliação do especialista antes da cirurgia, ou pela falta de cuidados do próprio paciente após o procedimento.
“As complicações ocorrem quando a avaliação pré-operatória foi mal feita, ou por falta de higiene, proteção e controle do paciente”, revela Claudio Lottenberg, oftalmologista e presidente do Hospital Albert Einstein de São Paulo.

O procedimento é rápido, mas deve demandar tempo e clareza dos ganhos e possibilidades. Entender o que a sua córnea permite e quais os resultados que a cirurgia proporcionará é fundamental, ressalta o médico.

Para Lottenberg, o coeficiente de risco é elevado quando esse diálogo não existe, ou quando a expectativa do paciente é incompatível com as possibilidades reais da cirurgia. “Muitos pacientes querem zerar o grau. Nem sempre é possível corrigir 100% do problema. O objetivo é proporcionar um conforto visual, diminuir o grau. Os óculos passam a ser usados para descanso, mas a cirurgia não o inutiliza.”

Janela limpa

Inflamações ou infecção nos olhos após a cirurgia são consequências da falta de higiene, descuido com a medicação e falha no acompanhamento. O presidente do Einstein explica que o procedimento equivale a uma janela limpa. O relapso do paciente altera a transparência dessa janela.

“O pós-operatório e tão fundamental quanto a avaliação correta do médico. O paciente precisa seguir à risca as orientações do especialista. Nesta etapa, pode ocorrer uma inflamação e modificar a cicatrização da córnea, comprometendo o resultado.”

Laser ou implante?

Para quem usa lentes de contato, e quer investir no método de correção permanente, os médicos alertam que é preciso resgatar os óculos da gaveta ao menos uma semana antes de realizar os exames. A lente altera o formato da córnea e não permite que a análise ou o mapeamento dos olhos seja feito com precisão, explica Lottenberg. A recomendação já é exigida pelos médicos em consultas de rotina, para medir possiveis alterações na graduação, mas nem sempre encarada com seriedade pelos pacientes.

O tempo de preparo deve ser longo e cauteloso. Cabe ao médico avaliar a estabilidade do grau, identificar se a córnea tem limites de curvatura normais – não pode ser muito curva, nem muito plana – e, principalmente, analisar a espessura. “A cirurgia é uma espécie de polimento da córnea. Modelamos para que as medidas finais do olho correspondam a uma visão sem grau. Se ela for muito fina, inviabiliza o procedimento”, ensina Ana Luiza, do 9 de Julho.

Tais pré-requisitos, embora fundamentais, não garantem o perfil compatível ao procedimento. “Alguns pacientes, apesar de cumprirem com todas as exigências iniciais, não são bons candidatos. Aqueles que apresentam graus muito elevados, acima de nove, devem optar por implantes de lentes”, completa o médico do Einstein.

Para implantar a lente nos olhos, é preciso menos de um minuto de cirurgia. O material é maleável, com dimensões estabelecidas e do tamanho dos olhos do paciente. Ana Holfilng explica que é feito um corte mínimo, de aproximadamente 2 milímetros, para que as lentes sejam colocadas. O procedimento, embora mais agressivo, é seguro, reversível e com ótimos resultados. “A cicatrização é até mais rápida. Em poucos dias o paciente está apto a trabalhar, retomar as atividades”, garante a médica.

Fonte: Lívia Machado, iG São Paulo | 29/10/2010 12:52

Botox® e Restylane®

5 out 2010 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: Estética em oftalmologia

A área periocular é uma das primeiras regiões do nosso corpo a evidenciar os efeitos do “envelhecimento”. Até recentemente, a única esperança era uma cirurgia plástica. Agora combinando dois produtos, Restylane® e Botox® é possível conseguir significativas mudanças na face e principalmente na área periocular sem cirurgia e com resultados muito naturais.

O Restylane® é um preenchimento injetável que aumenta o volume da pele proporcionando redução na aparência das rugas e linhas, aumento do volume dos lábios, definição do contorno facial, além de hidratar a pele dando a ela uma aparência mais saudável. Mas não é somente preencher rugas e lábios, o Restylane® injetado de maneira correta na região periocular, pode reduzir significantemente a aparência das bolsas sob os olhos (nas pálpebras inferiores) e definir o contorno do supercílio. Para muitos pacientes este é o único tratamento necessário para uma aparência descansada e jovem.

BOTOX® é um tratamento não cirúrgico que atenua linhas e rugas na região frontal (testa), na glabela (entre os supercílios) e ao redor dos olhos (”pés de galinha”). O tratamento consiste em injetar pequenas quantidades do produto em músculos específicos da face, causando uma paralisia temporária dos mesmos e com isto as rugas e linhas de expressão tornam-se mais suaves. Os resultados aparecem em poucos dias e o procedimento pode ser repetido a cada quatro meses para a sua manutenção.

Ambos os procedimentos são simples, rápidos e realizados no consultório. Não causam mudanças permanentes e oferecem um resultado natural sem cirurgias. Os tratamentos descritos são extremamente bem documentados em relação a segurança do uso dessas substancias e ao alto grau de satisfação dos pacientes. A mudança na aparência física para a maioria das pessoas leva ao aumento do bem estar, da autoconfiança e melhora da qualidade de vida.

A Dra Claudia Faria, oftalmologista da minha equipe e especialista em oculoplastica, tem realizado um excelente trabalho com o uso dessas substancias. A escolha de um profissional capacitado é o primeiro passo para um bom resultado.

Dr. Claudio Lottenberg.

Bebida alcoólica através dos olhos: uma estranha e perigosa combinação

16 set 2010 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: Curiosidades


Um dos assuntos desta semana que chamaram a atenção da maioria foi o uso (abuso) da vodka, que tem sido utilizado pelos jovens para ser “ingerida” através dos olhos.

O fato é que este hábito traduz algo já praticado por jovens frequentadores dos Pubs londrinos e pelas garçonetes que trabalham nos bares de Los Angeles em busca de generosas gorjetas.

Os praticantes desta anormalidade de consumo já o fazem em certas condições sobre as quais estão sob efeito do Álcool. As bebidas alcoólicas atuam sobre o sistema nervoso central, causando um estado de euforia que tira a pessoa de seu grau de comportamento normal, e também trazem um certo grau de analgesia. Frente a isso, sem um domínio pleno de suas faculdades e com sensibilidade diminuída e, portanto, mais tolerante à dor, o cidadão inocula álcool diretamente sobre o olho imaginando que isto acelere os efeitos da bebida alcoólica. Os desdobramentos acerca do álcool e seus efeitos sistêmicos são por demais conhecidos, mas aqui a proposta é a de entender o que pode ocorrer nos olhos.

A superfície externa ocular é revestida por um tecido chamado conjuntiva e que na região próxima à córnea apresenta um tipo de célula vital para a transparência corneana. É da transparência da córnea que depende grande parte da visão. Uma vez colocado bebida alcoólica em contato com a conjuntiva e, consequentemente, com estas células (pela mudança de ph), ocorre uma queimadura que, na dependência da concentração de álcool e do tempo de contato, pode levar desde queimaduras leves até queimaduras graves. No caso de lesão destas células, a consequencia é ainda mais danosa, pois uma vez lesada, a transparência da córnea é fortemente prejudicada. E mais, em alguns casos o transplante de córnea pode ser necessário e é o de pior prognóstico, pois as células caliciformes têm papel fundamental na nutrição tecidual.

Evidentemente que isto chama a atenção não só daqueles que se preocupam com a saúde dos olhos, mas também de todos aqueles que concentram sua atenção nas questões da violência. Tratar da questão dos olhos tem suas aptidões técnicas, mas a abordagem do álcool depende de todo um processo sociológico.

O fato é que qualquer substância que possa atingir nossos olhos tem papel que pode ser altamente nocivo. Na dúvida, a orientação é a de lavar copiosamente e, uma vez que se imaginar que a lavagem não foi suficiente, repeti-la, utilizando-se de água natural. Uma vez tratado desta forma o assunto emergencial, o paciente deve ser encaminhado ao médico especialista.

Claudio Lottenberg.

Você sabe o que é Glaucoma?

23 ago 2010 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: Glaucoma

Tal como o diabetes ou a hipertensão arterial sistêmica, o glaucoma é uma doença crônica onde a prevenção, diagnóstico e tratamento precoce são o melhor remédio.

O glaucoma é um grupo de doenças que envolve danos ao nervo óptico, responsável por transmitir sinais visuais ao cérebro, onde são processados e se convertem em imagens.

Não se sabe ao certo o que causa estes danos, mas já está provado que o aumento da pressão intra-ocular é um dos principais fatores de risco associados ao glaucoma.

O glaucoma pode atingir pessoas de todas as raças, sexo, nacionalidade. Porém em algumas pessoas este risco é maior do que em outras.

São fatores de risco para o desenvolvimento do glaucoma:
• História familiar da doença
• Pressão intra-ocular alta
• Raça negra
Miopia
• Uso crônico e prolongado de corticosteróides
• Trauma ocular

Muitos pacientes não sabem que tem glaucoma até que perdem uma boa parte da visão periférica, levando a uma visão tubular. A doença se desenvolve lentamente, isto explica porque muitos portadores vivem muitos anos antes de notar algum sintoma. Tal perda , infelizmente e irreversível.

O seu oftalmologista pode diagnosticar se você tem glaucoma ou risco para tal, antes de aparecerem os sintomas. Muitas vezes, exames complementares periódicos e seguimento são necessários para o diagnóstico e acompanhamento da doença.

O tratamento do glaucoma se baseia na diminuição da pressão intra-ocular. A pressão alvo a ser atingida para cada paciente deve ser individualizada caso a caso. Na maioria dos casos, o tratamento é inicialmente feito com colírios. Se não houver êxito seu médico pode indicar um procedimento cirúrgico ou a laser.

A melhor maneira de prevenir o glaucoma é realizar exames periódicos que permitirá o diagnóstico precoce e seu tratamento adequado.

Dra. Ruth Rosenhek Schor
Especialista em Glaucoma.

Eliminando alguns mitos

2 ago 2010 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: Curiosidades


É fato que o papel do oftalmologista vem se ampliando graças à tecnologia e em função do envelhecimento da população brasileira, mas julgo importante esclarecer, no velho capítulo dos óculos e lentes de contato, alguns mitos e alguns pontos de curiosidade.

Uma das principais razões pelas quais nossos pacientes nos procuram é para verificação e prescrição de lentes corretivas. O uso de lentes, corretivas ou não, não tem papel definidamente estabelecido no fato do grau aumentar ou não aumentar. Alguns estudos em macacos demonstraram que o uso dos óculos para miopia, em se tratando de jovens em fase de crescimento, poderia no caso do uso frequente na leitura aumentar a miopia, mas nem isso é definitivo. O fato é que quem não faz uso de correção refrativa adequada pode vir a apresentar inúmeros sintomas qualificados como astenopia, e que
se manifestam na forma de vermelhidão, lacrimejamento e dor de cabeça. Em resumo, isto significa dizer que não usar óculos traz sintomas desagradáveis, mas não aumenta e nem diminui o grau.

Outra pergunta que nos fazem sistematicamente diz respeito ao uso de óculos escuros e sua procedência. E aqui vale ressaltar que os óculos escuros têm, desde que manufaturados com material de boa qualidade, papel de filtro que protege os olhos do aparecimento de doenças que tem correlação com a radiação ultravioleta. Com o prolongamento da expectativa de vida, isso passa a ser importante, especialmente nos quadros de degeneração macular e catarata e, portanto, aqui fica também a recomendação positiva para seu uso. A origem destes óculos deve ser adequada e isto evidentemente dependerá da confiança em quem os vende.

Muito nos é questionado ainda sobre a leitura e a evolução dos graus refrativos e o pós-operatório de uma cirurgia ocular. A leitura não prejudica a visão e pode ser feita sempre. Logicamente que isso tem melhor efeito se realizado de forma adequada. Portanto, ler com grau inadequado, no escuro e ou com baixa luminosidade, em pós-operatório recente, não traz conforto, mas pode ser feito. Existem consequências momentâneas em forma de desconforto, mas que efetivamente não trazem prejuízos a médio e longo prazo.

Pacientes usuários nos questionam sobre os procedimentos refrativos e o uso de lentes de contato. A adaptação de uma lente de contato requer a supervisão médica e problemas momentaneamente inaparentes podem trazer consequências ruins a médio e longo prazo. Não é incomum vermos pacientes misturando produtos de manutenção de suas lentes de contato, que efetivamente são comprados desnecessariamente, levando a quadros irritativos. Afora isso, entendo que lentes podem ser usadas desde que as pessoas conheçam adequadamente os sintomas que possam significar que algo não está bem, e saibam manipular adequadamente o produto. Em havendo bom esclarecimento e bom entendimento, são recursos úteis e que proporcionam visão em muitos casos até superior aos próprios óculos.

Transplante de córnea à laser: mais rápido e seguro

7 jun 2010 por Lotten Eyes    12 Comentários    Postado em: Transplante de córnea

Há anos estamos nos dedicando à realização de transplantes de córnea. Havia um tempo em que a obtenção de tecido doador era extremamente difícil. Hoje, graças a uma maior sensibilidade por parte dos doadores e uma melhor organização do sistema publico na captação de órgãos, o quadro melhorou, e muito. Agora quem sabe tenha chegado a hora do pulo na esfera da tecnologia.

Temos trabalhado há mais de um ano com o laser de femtosegundo. Iniciamos pelas cirurgias refrativas e, em seguida, adotamos o recurso para implantação de anéis em ceratocone. Agora passaremos a utilizá-lo também para os transplantes de córnea, com o intuito de termos maior segurança e precisão no transplante.

Realizei recentemente no Hospital Albert Einstein o primeiro transplante de córnea assistido por um laser de última geração, chamado femtosegundo (mais rápido que o nanosegundo e que concentra altíssimas quantidades de energia no plano da córnea cortando-a com precisão e reprodutibilidade). Trata-se de um laser ultra-rápido e aplicado com altíssima potência, permitindo que o corte seja realizado de maneira extremamente focada e com baixa lesão dos tecidos circundantes à área trabalhada. Neste caso, o grande ganho é que a precisão oferecida pelo laser femtosegundo permite um encaixe mais preciso da córnea doada com a do receptor. Esse encaixe faz com que a área de contato entre os tecidos receptor e doador seja maior, diminuindo o risco de rejeição e garantindo uma recuperação mais rápida.

Sem dúvida tudo que foi exposto acima pode ser considerado uma inovação. O laser femtosegundo oferece muito mais precisão e previsibilidade, ou seja, além de oferecer mais segurança aos nossos pacientes, conseguimos prever os riscos e os resultados de cada cirurgia antes mesmo da sua realização. Antes da cirurgia, uma análise da córnea do paciente é realizada e alimenta um software que auxilia no planejamento de toda a operação, com foco nos locais exatos de onde devem ser realizadas as incisões.

Durante a cirurgia, além de o médico contar com o mapeamento preciso dos pontos a serem trabalhados com o laser, a rapidez e a potência do equipamento permitem que as incisões sejam realizadas em poucos segundos, praticamente sem riscos. Durante esses segundos, o olho do paciente é mantido imóvel- por um sistema de vácuo e o foco da aplicação é coordenado pelo cirurgião mediante o planejamento dos parâmetros da cirurgia. Além de rápido, o procedimento é possível de ser realizado com anestesia por colírio, o que também oferece mais segurança para o paciente, já que não há necessidade de anestesia geral.

Riscos

Os maiores riscos relacionados às cirurgias refrativas eram os chamados flaps – finas placas de tecido –, que antes eram obtidos por meio de lâminas. Com o laser de femtosegundo esse risco foi minimizado. Os flaps passaram a ser obtidos sem cortes, apenas com a separação dos tecidos por meio de bolhas de CO2 emitidas pela incisão do laser.

Esse aspecto do novo procedimento também oferece mais segurança ao paciente. Essas bolhas são absorvidas pelos tecidos em 24 horas. Portanto, se a incisão for inadequada ou realizada em local errado, o procedimento pode ser abortado – enquanto o organismo absorve as bolhas sem sofrer nenhum dano – e efetivado em outro dia.

Além disso, durante a cirurgia o médico conta com um monitor com imagens digitalizadas que conseguem programar as incisões do laser. É possível visualizar a sua ação antes mesmo das próprias aplicações, possibilitando qualquer correção, caso seja necessária, imediatamente.

Novos formatos de cortes

Durante cerca de 30 anos, os cortes em cirurgias de córnea eram feitos sempre em formato cilíndrico. Com o laser femtosegundo, os cortes podem ter vários formatos. Esta possibilidade é exatamente o que permite um encaixe perfeito dos tecidos no caso dos transplantes.

Recuperação

Com a nova técnica, a recuperação pós-operatória é mais rápida e menos desconfortável para o paciente, porque se reduz a necessidade de suturas (pontos). A qualidade refrativa é melhor com menor indução de astigmatismo no pós-operatório.
Sem duvida um ganho.

Alerta 3D!

19 mai 2010 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: Imagem tridimensional

Visão alterada, tontura, movimentos oculares involuntários, confusão, náuseas, enjôos, perda de consciência, convulsões, espasmos, desorientação, etc.

Se você sentir qualquer um desses sintomas, antes de só parar de assistir as imagens em 3D, quem sabe seja a hora de consultar um médico especialista.

Entrando em uma nova era, onde as maiores organizações estão apostando nesta nova tecnologia de imagem tridimensional, eu, como profissional da área da saúde, tenho visto em meu consultório, pacientes com estas e outras queixas, como dores de cabeça e no globo ocular, ardência, cansaço, que classificamos como astenopia. Sem contar aqueles que não conseguiram aproveitar o melhor do 3D, assistindo o filme inteiro com a visão embaçada e, portanto, sem colher os frutos desta inovação tecnológica. Isso tudo se acentua em pacientes estrábicos, com doenças neurológicas, como paralisias e perdas visuais severas em um dos olhos e até mesmo com muita diferença de grau de um olho para o outro que estão propensos a ter esses sintomas de forma ainda mais acentuada.

Para obter uma boa percepção do filme 3D é necessária boa acuidade visual em ambos os olhos e que haja fusão dessas imagens no cérebro.

Em uma sessão em 3D, é exibida na tela uma imagem com a sobreposição de duas imagens díspares horizontalmente. É como se fosse uma imagem do olho direito e outra do olho esquerdo. Os óculos polarizados fazem os olhos convergir, unificando as imagens, tornando-as nítidas e assim fazendo com que as imagens pareçam “saltar” da tela.

Se o expectador não consegue realizar esse movimento de convergência de maneira plena, é possível que venha a ter vários sintomas, como os descritos acima.

Sinto-me na obrigação, como médico oftalmologista, de levar até a população informações estas que julgo serem importantes e podem ser ainda melhor desfrutadas por cada um de vocês.

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