Conjuntivite: São Paulo vive surto e fica em alerta

21 mar 2011 por Lotten Eyes    1 Comentário     Postado em: Notícias

A capital paulista está passando por uma epidemia de conjuntivite viral desde o mês passado. De acordo com informações do Centro de Controle de Doenças (CCD) da Prefeitura, em 45 dias foram registrados 50.405 casos da doença na cidade. Mas esse número pode ser ainda maior, já que muitas pessoas não procuram auxílio médico para tratar a conjuntivite. A epidemia foi decretada no Estado de São Paulo depois que surtos foram identificados no interior e se espalharam pelo litoral até chegar à capital. Segundo a Vigilância Epidemiológica do Estado, o surto começou em janeiro deste ano no oeste paulista, se propagou para as regiões litorâneas depois do Carnaval e se transformou em uma epidemia de origem viral.

Para se ter uma ideia da dimensão do problema, o pronto-socorro oftalmológico da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) está atendendo cerca de 400 casos da doença por dia – o esperado eram 60. No Hospital das Clínicas (HC) são ao menos 300 novos casos – o triplo do esperado para o período. Na Santa Casa, cerca de 70% dos 330 atendimentos diários são por causa da conjuntivite. No Beneficência Portuguesa, foram notificados 114 casos nos primeiros 15 dias deste mês.

A conjuntivite é uma doença cuja causa pode ser infecciosa, nesse caso ela costuma ser transmitida por vírus ou bactéria e pode ser contagiosa; alérgica, que costuma ocorrer em pessoas predispostas a alergias (como quem tem rinite ou bronquite, por exemplo), geralmente afetando os dois olhos, e não é contagiosa; e tóxica, que é causada por contato direto com algum agente tóxico, como colírios, produtos de limpeza, fumaça de cigarro, poluição do ar, sabão, sabonetes, spray, maquiagens, cloro e tintas para cabelo.

No caso da conjuntivite contagiosa, a transmissão da doença se dá pelo contato. Assim, estar em ambientes fechados com pessoas infectadas, o uso de objetos contaminados, contato direto com pessoas que estejam com a doença, ou até mesmo pela água da piscina são formas de se contrair a conjuntivite. Os casos desse surto em São Paulo foram associados à forma viral da doença, que é contagiosa e provoca coceira, vermelhidão e uma secreção aquosa nos olhos.

Para se prevenir da conjuntivite, é muito importante lavar as mãos com frequência. Para os que já estão com a doença, é fundamental tomar outros cuidados, como não colocar as mãos nos olhos para evitar a recontaminação e evitar coçá-los para diminuir a irritação na região, lavar as mãos antes e depois de aplicar algum medicamento, não encostar o frasco do medicamento nos olhos, além de suspender o uso de lentes de contato. E é imprescindível também que quem esteja com conjuntivite procure sempre um oftalmologista para o devido diagnóstico e tratamento.

“Saúde no Brasil, além de recursos, necessita melhor administração”

9 mar 2011 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: De olho na saúde

“Na verdade, o grande fator que faz a diferença na empregabilidade tecnológica é o capital humano, representado pelos médicos. O médico é quem atua na relação diária, é ele quem capta, indica e decide. Temos que fortalecer este elo e seria impróprio, um erro, imaginar o contrário. Não existe tecnologia que possa substituí-lo”, diz Claudio Lottenberg.

Acesse a matéria completa em: http://www.ibef.com.br/ibefnews/pdfs/153/pingpong.pdf

Retinopatia: saiba os riscos para a visão do diabético

16 fev 2011 por Lotten Eyes    3 Comentários    Postado em: Retinopatia

Diabetes é uma doença crônica que tem se tornado mais frequente com o envelhecimento da população e a adoção de hábitos de vida pouco saudáveis.

O olho é umas das estruturas do nosso organismo que sofre as consequências da diabetes, quando esta não é bem cuidada.

A retina é a região vascularizada do fundo do olho que pode apresentar hemorragias, alterações dos vasos e inchaço no centro da visão, o que vai gerar sintomas de baixa acuidade visual quando houver um comprometimento importante. Mas quando bem monitoradas, as alterações podem ser detectadas de forma precoce e passamos a cuidar delas mais de perto. Ou seja, uma consulta com um oftalmologista periodicamente deve fazer parte da rotina de uma pessoa que tem diabetes, mesmo sem nenhum sintoma na visão.

As alterações no fundo do olho devido ao diabetes são conhecidas como Retinopatia Diabética. Existem dois tipos:

Retinopatia diabética não proliferativa (RDNP): é a forma inicial da doença. É detectada quando os vasos do fundo do olho estão danificados, causando hemorragia e vazamento de líquido na retina, que é conhecido como Edema de Mácula Diabético. Muitos pacientes manifestam a forma leve ou moderada da RDNP e podem até não apresentar nenhum sintoma visual.

Retinopatia diabética proliferativa (RDP): apresenta grande risco de perda de visão. Ela é diagnosticada quando os vasos da retina ou do nervo óptico não conseguem trazer os nutrientes para o fundo do olho e, por consequência, há a formação de vasos anormais que causam o sangramento.

Os estágios inicias da Retinopatia Diabética normalmente não apresentam sintomas visuais. Somente o exame com a pupila dilatada pode detectar se há alguma alteração no fundo do olho antes mesmo que os sintomas apareçam. Quanto mais cedo forem tratadas as alterações, maiores serão as chances de preservar a visão. Os pacientes com diabetes devem realizar pelo menos um exame de fundo de olho por ano e, caso apresentem alguma alteração da Retinopatia Diabética, são necessárias consultas mais frequentes. Os sintomas (nos estágios moderado e avançado da doença) são: perda de visão central e periférica, vista embaçada e distorcida, além de manchas na visão.

O controle cuidadoso da diabetes deve ser feito com uma dieta adequada, uso de medicamentos hipoglicemiantes, insulina ou com uma combinação destes tratamentos, prescritos pelo médico endocrinologista e que são a principal forma de evitar a Retinopatia Diabética.

Os pacientes diabéticos têm uma maior predisposição de apresentar outras doenças oftalmológicas, como catarata, glaucoma, desvios oculares, doenças da córnea e susceptibilidade a infecções. Portanto, o acompanhamento periódico com o oftalmologista é importante para a prevenção, o controle e o tratamento de quem possui diabetes.

Dra. Erika Sayuri Yazaki, especialista em retina.

Dr. Claudio Lottenberg no “Marília Gabriela Entrevista”

14 fev 2011 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: Notícias

No último domingo de Fevereiro, dia 13, o Dr. Claudio Lottenberg foi o convidado do programa “Marília Gabriela Entevista”, no canal GNT. A entrevista fez parte da programação dedicada à saúde durante o mês de fevereiro. Ao longo da conversa com a apresentadora, o Dr. Claudio falou de temas como o comando do Hospital Albert Einstein, a criação de um complexo hospitalar sustentável, o seu trabalho no período em que foi Secretário Municipal da saúde, e até a questão do aborto.

Veja no vídeo abaixo um trecho da entrevista:

Fonte: http://gnt.globo.com/mariliagabrielaentrevista/Noticias/Medico-fala-sobre-a-legalizacao-do-aborto-no–Marilia-Gabriela-Entrevista-.shtml
Se você quiser ver o programa na íntegra, ele será reapresentado pelo GNT nos seguintes horários:
Terça (15), às 22h30
Quarta (16), às 5h00, 10h30 e 14h00
Sábado (19), às 14h00

Saúde ocular infantil: cuidados com a visão no volta às aulas

8 fev 2011 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: Oftalmologia Pediátrica

O início do ano letivo é uma ótima oportunidade para realizar um check-up oftalmológico nas crianças. Estima-se que de 10 a 15% das crianças em idade escolar apresentam problemas oculares que podem influenciar o comportamento e o desempenho acadêmico.
Algumas crianças são míopes e costumam se aproximar muito dos objetos para enxergar bem. Elas podem ter dificuldade para ver bem de longe e chegam a evitar brincadeiras ao ar livre. Outras apresentam hipermetropia e podem ficar cansadas, sonolentas e desatentas quando lêem. Quando a criança apresenta o problema em apenas um dos olhos fica ainda mais difícil observar alguma alteração, pois ela tem comportamento absolutamente normal.
A maioria das crianças não sabe quando não enxergam bem. Elas acreditam que não enxergar bem de longe ou mais embaçado seja normal.
Ultimamente tem aumentado muito o número de escolas que exigem exame oftalmológico no início do ano letivo. Esta medida contribui bastante para identificar problemas na visão e deveria se tornar rotina em todos os colégios.
A detecção e o tratamento precoces de doenças oculares nas crianças são muito importantes não só para evitar o comprometimento visual permanente, já que algumas doenças oculares só têm tratamento na infância, como também evitar atraso no aprendizado e no desenvolvimento da criança.

Dra. Claudia Faria
Oftalmologista

Dilma compara vítimas do nazismo com as de ditaduras

28 jan 2011 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: Notícias

A Presidente Dilma Rousseff comparou as vítimas do nazismo a todos os perseguidos e mortos por “ditaduras e guerras injustas”.

A presidente, que foi torturada durante o regime militar no Brasil (1964-1985), se emocionou ao falar da importância do “exercício da memória” quando participou de evento em memória às vítimas do Holocausto em Porto Alegre.

“Lembrar Auschwitz-Birkenau é lembrar todas as vítimas de todas as guerras injustas, todas as ditaduras que tentaram calar seres humanos”, disse Dilma, com a voz embargada.

Em discurso no evento da Conib (Confederação Israelita do Brasil), a presidente afirmou que seu governo não irá “compactuar com nenhuma forma de violação dos direitos humanos em qualquer país”.

Ela havia feito afirmação semelhante no final do ano passado em entrevista ao “The Washington Post”, ao ser perguntada sobre o apoio do governo Lula (2003-2010) ao Irã.

A presidente, que tenta fazer deslanchar em seu governo a Comissão da Verdade para examinar o período da ditadura, insistiu na importância da “memória”.

Segundo ela, “a memória é uma arma humana para impedir a repetição da barbárie”. Parte do discurso foi lido, mas Dilma também improvisou.

O evento de hoje foi a primeira visita oficial dela ao Rio Grande do Sul, Estado onde fez carreira política. O presidente Lula participou nos últimos seis anos do evento de 27 de janeiro, dia internacional em memória às vítimas do Holocausto.

A presidente afirmou ainda que o Holocausto “inaugurou uma época de violência industrializada”, com a “tortura científica”.

Antes de Dilma discursar, o presidente da Conib, Claudio Lottenberg, comparou as torturas sofridas por judeus durante a Segunda Guerra com aquelas que a presidente foi submetida na ditadura brasileira. “A senhora, presidente Dilma Rousseff, sabe melhor que todos o que significa ser torturada, [...] o que este tipo de agressão pode significar para alguém, por mais que sobreviva.”

Antes do evento, Lottenberg comentou o que chamou de mudança na política brasileira em relação ao Irã. Apesar de dizer que os ataques a Israel são do presidente do Irã, não dos iranianos, ele se disse “feliz em saber que a presidente [Dilma] tem posição diferente daquela que o presidente Lula manifestou no passado”.

Fonte: Folha de São Paulo, 28 de janeiro de 2011.

Verão e férias: cuide bem dos seus olhos

5 jan 2011 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: Cuidados com a visão

O verão não pode ser um obstáculo na qualidade de sua saúde ocular. Caso alguns cuidados sejam tomados, você evitará muitas das razões que lhe fazem procurar um médico oftalmologista em condições de emergência.

1-Uso de óculos com filtro solar (óculos escuros)

Muitos pacientes nos procuram por queimadura solar em suas córneas, o que efetivamente poderia ser evitado caso estivessem fazendo uso de óculos com proteção a radiação ultravioleta, além da utlização criteriosa de lubrificante ocular (lágrima artificial). Quadros desta natureza são denominados genericamente como ceratite e a dor é muito forte. Afora isto vale lembrar que a velocidade da evolução da catarata é muito maior em pacientes que não usam óculos escuros quando comparados aos que os utilizam

2-Proteção dos olhos nas tarefas caseiras

Não menos freqüente, o fato de nossos pacientes nos procurarem em função de acidentes domésticos é fruto de tarefas que normalmente não realizamos e que nas férias são objeto inclusive de recreação. Trata-se de um trabalho manual de carpintaria, uma soldadura e que exigem de TODOS óculos de proteção de maneira rotineira.

3-Proteção dos olhos em praticas esportivas

Há um aforisma que diz quanto maior a bola menor a consequência do trauma. Quem sabe por isto que cada vez mais nos procuram pacientes em função de traumas com paintball, bola de tênis, afora os demais que podem ter riscos menores, mas que efetivamente existem. Portanto, importante ressaltar a necessidade de proteger os olhos em determinadas modalidades esportivas. O olho localiza-se em um estojo ósseo (órbita), mas esta não é suficiente para proteção em todas as condições advindas de traumatismos.

4-Contato com substâncias químicas

Muito cuidado na utilização imprópria de colírios. Recebemos muitos pacientes, que por falta de organização dos frascos similares aos de colírios, utilizam indevidamente substâncias para outras finalidades, o que podem ocasionar infamações, lesões oculares. Além disto, não é infrequente que nas piscinas entremos em contato com substâncias irritativas, infecciosas ou não , mas que causam forte desconforto. Em ambas situações, a conduta é a de lavar intensamente com água corrente e no máximo utlizar-se lubrificante tópico ocular. Recomenda-se que o paciente seja examinado por um médico especialista.
Cuidado com mordidas de insetos, pois a região ao redor dos olhos é altamente infectante, além disto, é uma região onde não podemos colocar repelente.

5-Outros cuidados

Recomendo ainda cuidado com uso de “armas de brinquedo” que possam conter materiais que eliminem algum tipo de detrito e que possam invadir as estruturas oculares mesmo que externas. Cuidados com arame farpado, líquidos de baterias velhas e minha especial recomendação para os cuidados extras que devem ter os pacientes que tenham sido submetidos previamente a cirurgias oculares e cirurgia refrativa em particular.

Cirurgia com laser: operações nas córneas mais precisas

6 dez 2010 por Lotten Eyes    12 Comentários    Postado em: Novas tecnologias

Embora seja frágil e praticamente imperceptível, a córnea, aquela camada transparente que cobre a pupila e a íris dos olhos, carrega a importante missão de proteger a visão. Dependendo de suas condições, ela nos permite ou não enxergar com nitidez. Quando comprometida por traumas ou doenças, faz com que o mundo fique embaçado ou totalmente escuro. Danos a essa membrana são a segunda maior causa de cegueira reversível no planeta. Para muitos pacientes, o transplante representa a única chance de voltar a enxergar. De alguns anos para cá, a tecnologia tem contribuído para que o procedimento seja realizado com menos risco. O laser vem proporcionando cirurgias mais precisas e planejadas para os olhos que necessitam de novas córneas. No entanto, além do recurso que trouxe mais segurança para o transplante, os pacientes também dependem do ato de amor de pessoas que acabaram de perder um familiar.

O laser de femtosegundo — pulso ultrarrápido com cerca de um milésimo de bilionésimo de segundo aplicado com altíssima potência — é o mais novo aliado de pacientes que precisam do transplante de córnea. A energia já era usada em cirurgias de miopia, astigmatismo e implantes de anéis intracorneanos. De acordo com o oftalmologista Cláudio Luiz Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o femtosegundo vem proporcionando ótimos resultados. Ele explica que esse recurso permite um planejamento milimétrico do transplante. “Com o auxílio de um software, fazemos um mapeamento detalhado dos pontos da córnea onde serão feitas as incisões para a sua retirada. O corte com o laser pode ser feito em diversos formatos, minimizando o risco dos flaps, que são camadas finas de tecido. Com isso, o encaixe da nova córnea é bem mais preciso, o que minimiza o risco de rejeição”, pontua.

A aplicação do laser femtosegundo em transplante de córneas deve chegar a Brasília no primeiro semestre de 2011. O recurso será disponiblizado em algumas clínicas particulares. A cirurgia convencional de transplante de córnea é feita com um instrumento chamado trépano. “O corte é circular e pode ser feito manualmente ou a vácuo. Ele é seguro, mas o femtosegundo representa, sem dúvida, uma evolução”, reforça o oftalmologista especialista em córnea da Oftalmed Sérgio Elias Saraiva. Ele lembra que o transplante é sempre a última opção em tratamento para doenças como ceratocone, perda de transparência da córnea, endotéliopatias, traumatismos que provocam cortes ou furos que geram leucomas e úlceras. “São doenças que levam à cegueira. O transplante é sempre feito para salvar a visão do paciente. Hoje, os riscos de rejeição giram em torno de 8% a 10%”, acrescenta.

O pós-operatório exige repouso nos 15 dias que seguem o transplante. Os índices de complicações são baixos, mas existem. O paciente pode ser acometido por infecções, cataratas e glaucoma, por exemplo. Mas, segundo Saraiva, as condições da cirurgia convencional são boas e as perspectivas futuras, melhores ainda. “A evolução também contempla outros elementos fundamentais para o transplante, como fios de sutura, agulhas e conservantes, que preservam a córnea até que ela seja implantada”, observa.

Pesquisadores da Universidade de Linkoping, na Suécia, conduziram nos últimos dois anos uma pesquisa com córneas sintéticas em 10 pacientes. Membranas produzidas com colágeno artificial foram implantadas com leveduras e sequências de DNA humano. Os resultados do estudo, publicados na revista científica Science Translational Medicine, indicam que depois do transplante células e nervos cresceram dentro da estrutura pré-fabricada, melhorando a visão e não sendo rejeitados por nenhum dos voluntários.

Realidade brasileira
No Brasil, foram realizados, em 2009, quase 13 mil transplantes de córneas. A quantidade supera significativamente o número de transplantes de outros órgãos por diversos motivos. As córneas podem ser captadas até seis horas após a morte do doador, enquanto os órgãos sólidos precisam ser retirados de doadores em morte encefálica — coração batendo e respiração auxiliada por máquinas. As membranas duram até 14 dias nos bancos de olhos, enquanto que coração e pulmão, por exemplo, podem ficar somente seis horas fora do corpo. A cirurgia de córnea também tem a vantagem de ser realizada em ambulatórios, sem demandar internação.

No Distrito Federal, o candidato a receber uma córnea aguarda, em média, de dois a quatro meses na fila. Embora seja a unidade da Federação com maior média de procedimentos do país, totalizando 147 para cada um milhão de habitantes, o DF ainda não conseguiu zerar a fila. Atualmente, existem 33 pacientes preparados para o transplante e na expectativa de voltar a enxergar com nitidez. A espera pode chegar a três anos em regiões que não contam com boa estrutura de captação. Em compensação, São Paulo já conseguiu praticamente quitar a diferença entre oferta e demanda. O estado é responsável por metade dos procedimentos realizados no país.

Para receber uma nova córnea, o candidato precisa se inscrever no banco de olhos de seu estado. Os doadores devem deixar claro para a família o desejo de doar. Somente as córneas de pacientes com Aids, câncer ou hepatite B não podem ser aproveitadas. “Ao contrário do que pensam algumas famílias, a retirada das córneas não causa nenhuma deformação no corpo do doador”, explica Élcio Sato, oftalmologista e coordenador do departamento de tecidos da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (Abto).

O analista de suporte Giscard Camilo de Oliveira, 35 anos, vê o mundo com novas córneas desde o ano passado, quando fez o transplante no olho direito. A indicação da cirurgia veio em decorrência do ceratocone, doença que o obrigou a usar uma lente rígida para corrigir a deficiência visual — que chegou a 16 graus nesse olho. Giscard esperou um ano e meio na fila. Há três meses, foi a vez de o olho esquerdo receber uma nova córnea. “Vivi com uma lente muito incômoda nos olhos desde a adolescência. Tinha uma vida limitadíssima. Enxergar bem novamente foi uma conquista. A cirurgia foi muito tranquila, assim como o pós-operatório. Não ficou qualquer resquício de grau. Devo isso à generosidade de uma família que, em um momento difícil, soube pensar no próximo”, considera.

“Presente”
O segundo transplante da recepcionista Laís Crispim, 19 anos, foi feito no último dia 2. Ainda com os pontos na córnea, ela conta que o procedimento foi inevitável porque a vista foi ficando cada dia mais opaca. “Operei o olho direito em 2007, o grau do esquerdo não estava tão alto e o médico achou melhor aguardar. O ceratocone avançou e eu cheguei a usar uma lente de 20 graus. A sensação de voltar a enxergar é única. O transplante foi um presente”, desabafa a jovem.

As córneas doadas passam por um rigoroso processo de avaliação até chegarem aos olhos do receptor. Um recente levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária revelou que 51% das membranas captadas pelos bancos de olhos são descartadas. “Pode parecer muito, mas é uma questão de segurança. As córneas captadas são liberadas somente depois de passarem por uma triagem detalhada. A média mundial de descarte gira em torno de 40% a 50%. É uma medida preventiva. Não adianta trocar uma córnea doente por outra que não apresenta boas condições”, explica Sato.

Por uma saúde sustentável

19 nov 2010 por Lotten Eyes    Sem Comentários    Postado em: De olho na saúde

A resistência da sociedade civil brasileira ao retomo da CPMF é legítima e revela um amadurecimento de sua atuação política. Protestar contra a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira não representa, como eventualmente possa parecer, uma atitude mesquinha de se evitar prejuízos financeiros pessoais.
Diferentemente disso, esse posicionamento mostra que a nação aumentou seu grau de exigência por transparência e mais rigor no acompanhamento da captação e principalmente, do destino dos recursos públicos.

Com clareza sobre a distribuição dos montantes arrecadados para o sistema de saúde aplicação de maior inteligência administrativa, o brasileiro seria suficiente mente compreensivo com a adoção de taxas dessa natureza, já que estaria mais seguro com a concretização das ações do Estado nessa arca.

No mundo todo, a carga tributária aumenta ao longo da história para atender aos interesses coletivos e às mudanças influenciadas, por exemplo, pelo crescimento populacional, oscilações econômicas e conseqüentes fenômenos de ordem sociológica. Nem sempre as medidas relacionadas a impostos criaram mobilizações de oposição. É algo a ser analisado e mais um indicativo de que o governo deve reconhecer que a resolução de problemas nessa área deve ser focada mais em estrutura do que somente em subterfúgios paliativos de financiamento.

Sabemos que os custos da saúde tendem a aumentar pelas novas e importantes tecnologias, por conta da ausência de bons programas de prevenção e, principalmente, pelo envelhecimento populacional, que é considerado o fator que mais irá sobrecarregar as finanças do SUS em um futuro próximo. Por conta dessa realidade, a população precisa exigir mais ações institucionalmente sustentáveis e perenes.
A Emenda 29, de setembro de 2000. Assegura os recursos mínimos para financiamento das ações e serviços públicos de saúde. A definição sobre o que significa o gasto nessa área passou a dificultar o desvio de dinheiro para outros fins. No entanto, precisamos de uma metodologia que permita controlar esses recursos dentro do próprio sistema de saúde. E isso é um dos diversos pontos sensíveis de uma gama de ajustes para a resolução sustentável dos desafios do SUS.

É preciso aplicar modelos de gestão mais eficazes para aperfeiçoar o uso do aparelho disponível. Além da falta de regulação para destinar verbas, estamos carentes de uma organização gerencial mais qualificada na administração pública, com capacidade técnica e entendimento das necessidades e peculiaridades regionais. Falta também esclarecer lideranças e a própria sociedade sobre o fato de que saúde não se constrói apenas com mais leitos e unidades hospitalares – destino de recursos provenientes de impostos como a CPMF. É por conta desse tipo de mentalidade que se perpetuam as deficiências de um serviço que deveria dar conta de um direito universal para o nosso desenvolvimento como nação.
Para lidar com uma nova realidade da medicina, que tenta responder às necessidades grandes demanda e altos custos, o profissional de saúde não pode se limitar ao conhecimento técnico da prática hospitalar. A nova gestão exige um perfil que entenda os desafios da área e se integre as práticas de excelência, que vão desde a aplicação de protocolos médicos mais bem delineados a modelos de atendimento que buscam mais prevenir do que tratar. A necessidade é clara, mas sempre nos deparamos com a fraqueza de capacitação de mão de obra e a tradicional morosidade e burocracia do funcionalismo publico.

Precisamos contar com profissionais capacitados, para lidar com desafios gerenciais relativos a planejamento e altos custos. Ao passo que a medicina avança, a tecnologia encarece a prestação de serviços, e a indústria de insumos hospitalares e farmacêuticos se aquece pela busca frenética por lucratividade. Isso dificulta a ponta da cadeia responsável pelo rendimento ao paciente.
Conceitualmente, o SUS é um bom sistema e realizou diversas ações lúcidas, como o Programa Saúde da Família e a aplicação das AMAS, mas está carente de um Plano Diretor, que amplie a visão estreita até então incapaz de resolver seus principais problemas. O retomo da CPMF vai dar continuidade ao estimulo do desperdício de dinheiro público, estendendo e talvez amplificando suas deficiências. Antes de consolidar as origens de seu financiamento, o SUS precisa de plataforma estrutural consistente, que possibilite mais transparência. Isso só poderá ser viabilizado com avançadas praticas de gestão e continuidade da exigência do brasileiro por ações sensatas, eticamente inquestionáveis e de caráter duradouro.

CLÁUDIO LUIZ LOTTENBERG
EX-SECRETÁRIO DA SAÚDE DE SÃO PAULO, É PRESIDENTE DO HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN

Matéria publicada no jornal “O Estado de São Paulo” em 14/11/2010.

A tecnologia a favor da visão

8 nov 2010 por Lotten Eyes    2 Comentários    Postado em: Cirurgias

São necessários mínimos 30 segundos para aposentar os óculos ou abandonar as lentes de contato. As cirurgias de correção de miopia, hipermetropia e astigmatismo – problemas oculares – oferecem uma técnica de sucesso, com baixo índice de erro. A liberdade visual, porém, não é tão democrática. Nem todos os olhos podem ser corrigidos mecanicamente.

O mercado brasileiro oferece três opções de procedimentos. O laser não é novo. A novidade na área nacional, ainda incorporada por poucos hospitais, é a utilização de um aparelho mais moderno, que utiliza dois tipos de laser. É este procedimento o responsável por corrigir o grau dos pilotos da Força Aérea Americana, revela Ana Luiza Hofling de Lima, chefe da equipe de oftalmologia do Hospital 9 de Julho de São Paulo.

“A técnica eleva o custo do procedimento tradicional, feito com apenas um laser, mas minimiza as imperfeições da córnea e diminui os riscos do pós-operatório. Em geral, essas cirurgias não apresentam problema na aplicação, mas sim no processo de cicatrização.”

A tecnologia do aparelho a laser, utilizado para modelar a córnea e eliminar as imperfeições – o grau – garante precisão e diminui a possibilidade de erro. Os especialistas alertam, entretanto, que a cegueira ou perda de visão, embora raras, são sequelas provocadas pela má avaliação do especialista antes da cirurgia, ou pela falta de cuidados do próprio paciente após o procedimento.
“As complicações ocorrem quando a avaliação pré-operatória foi mal feita, ou por falta de higiene, proteção e controle do paciente”, revela Claudio Lottenberg, oftalmologista e presidente do Hospital Albert Einstein de São Paulo.

O procedimento é rápido, mas deve demandar tempo e clareza dos ganhos e possibilidades. Entender o que a sua córnea permite e quais os resultados que a cirurgia proporcionará é fundamental, ressalta o médico.

Para Lottenberg, o coeficiente de risco é elevado quando esse diálogo não existe, ou quando a expectativa do paciente é incompatível com as possibilidades reais da cirurgia. “Muitos pacientes querem zerar o grau. Nem sempre é possível corrigir 100% do problema. O objetivo é proporcionar um conforto visual, diminuir o grau. Os óculos passam a ser usados para descanso, mas a cirurgia não o inutiliza.”

Janela limpa

Inflamações ou infecção nos olhos após a cirurgia são consequências da falta de higiene, descuido com a medicação e falha no acompanhamento. O presidente do Einstein explica que o procedimento equivale a uma janela limpa. O relapso do paciente altera a transparência dessa janela.

“O pós-operatório e tão fundamental quanto a avaliação correta do médico. O paciente precisa seguir à risca as orientações do especialista. Nesta etapa, pode ocorrer uma inflamação e modificar a cicatrização da córnea, comprometendo o resultado.”

Laser ou implante?

Para quem usa lentes de contato, e quer investir no método de correção permanente, os médicos alertam que é preciso resgatar os óculos da gaveta ao menos uma semana antes de realizar os exames. A lente altera o formato da córnea e não permite que a análise ou o mapeamento dos olhos seja feito com precisão, explica Lottenberg. A recomendação já é exigida pelos médicos em consultas de rotina, para medir possiveis alterações na graduação, mas nem sempre encarada com seriedade pelos pacientes.

O tempo de preparo deve ser longo e cauteloso. Cabe ao médico avaliar a estabilidade do grau, identificar se a córnea tem limites de curvatura normais – não pode ser muito curva, nem muito plana – e, principalmente, analisar a espessura. “A cirurgia é uma espécie de polimento da córnea. Modelamos para que as medidas finais do olho correspondam a uma visão sem grau. Se ela for muito fina, inviabiliza o procedimento”, ensina Ana Luiza, do 9 de Julho.

Tais pré-requisitos, embora fundamentais, não garantem o perfil compatível ao procedimento. “Alguns pacientes, apesar de cumprirem com todas as exigências iniciais, não são bons candidatos. Aqueles que apresentam graus muito elevados, acima de nove, devem optar por implantes de lentes”, completa o médico do Einstein.

Para implantar a lente nos olhos, é preciso menos de um minuto de cirurgia. O material é maleável, com dimensões estabelecidas e do tamanho dos olhos do paciente. Ana Holfilng explica que é feito um corte mínimo, de aproximadamente 2 milímetros, para que as lentes sejam colocadas. O procedimento, embora mais agressivo, é seguro, reversível e com ótimos resultados. “A cicatrização é até mais rápida. Em poucos dias o paciente está apto a trabalhar, retomar as atividades”, garante a médica.

Fonte: Lívia Machado, iG São Paulo | 29/10/2010 12:52

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