Córnea, Cross Link, anéis e o novo tipo de Laser

fev 5, 2009 por Lotten Eyes    4 Comentários    Postado em: Novas tecnologias

No passado escrevi sobre a córnea e as técnicas do Cross Link e hoje desejo retomar o assunto com uma visão mais abrangente acerca da própria córnea. Isto porque a patologia da córnea fina e a remoção tecidual causada pelo laser não é de interesse do paciente, o que é compartilhado por uma série de oftalmologistas. O laser, que tem inúmeros atributos tecnológicos, tem indicações precisas, porém, mesmo dentro do rigor necessário, complicações podem surgir e cabe ao médico saber como evitá-las ou como lidar com elas. O paciente, por outro lado, quer a visão perfeita e, mesmo nos casos em que o laser não é utilizado e a córnea afina por uma condição patológica, nosso papel é fazer o melhor sob o ponto de vista de sua visão.

A primeira questão parte do diagnóstico deste afinamento, o que é mais fácil nos casos mais expressivos em sinais e sintomas, mas de grande dificuldade nas formas mais frustras. Estes últimos são pacientes sem qualquer sinal clínico e sem qualquer sintomatologia, mas que em algum exame complementar levanta alguma suspeita diagnóstica. Estes casos merecem muita atenção, pois podem mimetizar algumas condições de maior ou menor gravidade ou até mesmo serem casos que sejam consequência de uso excessivo de lentes de contato. Neste último grupo existe a necessidade de suspender o uso das lentes, o que nem sempre pacientes e médicos acabam fazendo. É aqui a primeira ressalva que temos que fazer, pois cirurgia refrativa, por mais evoluída que possa ser, é um processo cirúrgico em área nobre do corpo e, assim como tudo, tem que ser tratada com muita rigidez e seriedade como requisito de seguraça para o paciente. Este deve suspender uso de lentes com orientação médica, repetir exames, estar disposto a dilatar a pupíla e, insisto com isso, pois muitas vezes as pessoas desejam banalizar o processo, o que não pode ser admitido quando se trata de saúde.

O ceratocone é a doença que mais nos preocupa nas cirurgias refrativas de maneira geral. Caracterizado por um afinamento corneano não inflamatório bilateral, com incidência entre um em cada 2000 pacientes da população. O aumento da curvatura corneana ocorre, com afinamento do ápice e surgimento de astigmatismo irregular. Eventualmente, uma forma de cone na superfície da córnea pode surgir. Embora o ceratocone sempre tenha merecido atenção médica, com o processo de cirurgias refrativas e com o próprio envelhecimento, merece cada vez mais atenção de todos. A questão é que num passado recente, afora o papel da adaptação de lentes e futuro transplante, quando necessário muito pouco podia ser feito, o que não é o caso dos dias de hoje. E ainda, em função das próprias ectasias corneanas que surgem como uma complicação da cirurgia refrativa a laser, muito pode ser feito no sentido de melhora visual. Portanto, um ponto positivo tanto para as doenças do olho herdadas como para aquelas que surgem como iatrogenia.

Falamos sobre o cross link e seu papel no fortalecimento da córnea em casos em evolução. Reforço hoje ainda mais este ponto. E diria ainda mais acerca desta ferramenta, pois ela propõe não só a estagnação de um quadro evolutivo, mas abre a perspectiva para outra inovações que podem ser úteis na restituição da qualidade visual. Portanto, hoje se aventa a possibilidade de fazer-se laser em pacientes portadores de ceratocone pós Cross link, a utilização de anéis corneanos aplicados quase que simultanemente em córneas que seriam submetidas a transplante e, portanto, uma simplificação e um acesso com menores riscos ao paciente. É claro que isso, em grande parte, ainda se encontra em estudo e cabe a nós enquanto médicos trazer aos pacientes as possibilidades, mas sempre dentro da realidade apoiada em evidências cientificas.

O próximo passo que estará em nosso alcance nos próximos meses será o Femtosecond Laser. Este recurso traz maior previsibilidade no corte da córnea. Com isso, aprimorará a forma do médico intervir na córnea com desdobramentos importantes em cirurgia refrativa, nos transplantes de córnea e no tratamento dos afinamentos de córnea como o ceratocone e as ectasias. Reprodutível e mais preciso na capacidade de mensuração traz enormes oportunidades na melhoria dos procedimentos. Com ele estaremos na vanguarda das possibilidades atuais para cirurgia de córnea, mas uma vez mais caberá ao médico equilíbrio e bom senso, evitando riscos, o que é fundamentalmente saber até onde esta tecnologia pode intervir.

4 Comentários Comentar

  • Estou efetuando uma cirurgia de crosslink, gostaria de saber se é possivel colocar o anel simultaneamente com a cirurgia.

    • Prezado Elio,

      É possível sim fazer os dois procedimentos ao mesmo tempo, a pergunta mais adequada seria se é o melhor fazer isso. Atualmente (setembro de 2012) seguimos em nossa clínica o protocolo de realizar primeiro o implante de anel e depois o crosslinking.

      Agradecemos o contato.
      Equipe Lotten Eyes.

  • O crosslink corrige também a miopia e o astigmatismo?

    • Prezada Tânia,

      O crosslinking não é um procedimento que tem por finalidade corrigir graus de ametropia.

      Agradecemos o contato.
      Equipe Lotten Eyes.
      http://www.lotteneyes.com.br

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