Ceratocone, crosslink e anel intracorneano

jul 28, 2009 por Lotten Eyes    Comentários desativados    Postado em: Ceratocone

A córnea é uma estrutura lenticular que trabalha no olho com poder refrativo, isto é, tem importante papel óptico na formação das imagens. Formada por cinco camadas, ao apresentar uma fragilidade estrutural em uma delas, pode evoluir para um quadro de astigmatismo progressivo, que caracteriza as fases iniciais do ceratocone, culminando na necessidade de transplante de córnea. Sua relevância chama cada vez mais a atenção da comunidade cientifica e quase todos conhecem a importância dos transplantes de córnea nas reabilitações visuais. Entretanto, frente ao avançar do conhecimento, novos incrementos tecnológicos vêm permitindo que possamos diagnosticar doenças corneanas cada vez mais precocemente e atuar com maior segurança no atendimento.

Para sua melhor avaliação, a topografia da córnea permite um verdadeiro mapeamento dos detalhes desta estrutura. Este exame, juntamente com outros dados, inclui ou exclui candidatos à cirurgia refrativa e permite que detalhemos melhor os dados acerca do ceratocone, que é a doença que mais preocupa nas cirurgias refrativas de maneira geral. Caracterizado por um afinamento corneano não inflamatório bilateral, com incidência entre um em cada 2000 pessoas, caso não percebido nas formas mais frustras, pode trazer dissabores no futuro. Isto se aplica não só em relação a quem deseja operar seu grau refracional, mas também a quem se preocupa com o envelhecimento.

Tradicionalmente, os casos mais agressivos evoluíam para a necessidade de transplante de córnea. Imprevisível falar ainda em quem assim se encaminhará, mas hoje, antes deste processo evolutivo algumas medidas podem ser tomadas. Uma delas é o uso da tecnologia de “crosslinking” como elemento terapêutico e/ou regulador do ceratocone. Neste procedimento a córnea passa por um processo de retirada do epitélio (sua camada superficial que depois se refaz), recebe uma aplicação de uma substância de riboflavina, que atuando em âmbito molecular é irradiada por cerca de uma hora com luz ultra-violeta e que atua fortalecendo a estrutura corneana. Este processo, embora não resolva o ceratocone, impede sua progressão e faz com que ocorra uma estabilização.

Este é um avanço de muito significado. Não se aplicando somente aos casos de ceratocone, mas também aos pacientes que foram operados de miopia, astigmatismo e hipermetropia e que desenvolveram ectasisas corneanas, isto é, afinamentos progressivos. O “crosslinking” é uma ferramenta útil que permite de alguma maneira estagnar o processo evolutivo destas condições.

A primeira questão, porém, parte do diagnóstico deste afinamento, o que é mais fácil nos casos mais expressivos em sinais e sintomas, mas de grande dificuldade nas formas mais frustras. Estes últimos são pacientes sem qualquer sinal clínico e sem qualquer sintomatologia, mas que em algum exame complementar levanta alguma suspeita diagnóstica. Merecem muita atenção, pois podem mimetizar algumas condições de maior ou menor gravidade ou até mesmo serem casos que sejam conseqüência de uso excessivo de lentes de contacto. Neste ultimo grupo existe a necessidade de suspender o uso das lentes para sua melhor avaliação. O aumento da curvatura corneana ocorre, com afinamento do ápice e surgimento de astigmatismo irregular. Eventualmente uma forma de cone na superfície da córnea pode surgir facilitando o diagnóstico clinico. Entretanto antes do transplante, em córneas diagnosticadas como portadoras de ceratocone, sem grande processo cicatricial e respeitando-se alguns limites de espessura, existe a possibilidade da implantação de anéis na estrutura corneana. Estes anéis podem em alguns casos melhorar a qualidade visual graças a uma modelagem que incrementa tecido corneano na área central o que pode diminuir as aberrações visuais. Embora somente melhorem e não paralisem o processo evolutivo os anéis intraestromais podem postergar a necessidade de transplante de córnea sendo inclusive removíveis caso o resultado não seja o esperado. Uma alternativa que hoje se levanta é o da associação dos anéis com o tratamento de “crosslinking”. Um buscando melhoria visual e o outro buscando estabilização da doença.

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