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Presbiopia: fadiga visual

7 jul 2008 por Lotten Eyes    2 Comentários    Postado em: Presbiopia

Certamente um dos maiores desafios que a oftalmologia apresenta na busca pela melhoria da qualidade visual sem uso de óculos e, após os avanços das cirurgias de catarata e de correção das ametropias, reside na questão da presbiopia.

A partir dos 40 anos de idade, as pessoas passam a apresentar, em quase 100% das vezes, diminuição da capacidade acomodativa, isto é, apresentam dificuldade para enxergar de perto. Isto é fruto do endurecimento do cristalino e/ou da menor flexibilização dos músculos ciliares responsáveis por esta mecânica. Existem condições especificas, como no caso dos míopes, que simplesmente retiram seus óculos para longe e enxergam para perto, mas o fato é que o conforto visual desaparece na visão para todos.

A primeira resposta para isso se deu com o surgimento dos óculos que podem simplesmente ter grau para perto ou associar na mesma armação graus para longe e perto simultaneamente. Entretanto, as pessoas cada dia tornam-se mais exigentes, buscando na tecnologia e nos médicos ações inovatórias.

Uma opção não-cirúrgica seria a adaptação de lentes de contato. A partir daí, uma série de possibilidades se abrem, que vão desde as que apresentam visão para longe e para perto simultaneamente, até a técnica da monovisão, onde um dos olhos fica corrigido para longe e o outro para perto. Neste ultimo caso e mesmo nos demais, o paciente tem que se esforçar no sentido de haver uma adaptação a este novo “modo de enxergar”, se assim podemos dizer.

A exigência fez com que a tecnologia avançasse e certamente aquilo que aconteceu com as lentes de contato também aconteceria no sentido da busca corretiva cirúrgica. Inicialmente, começaram a ser feitas cirurgias corretivas a laser deixando um olho com boa acuidade visual para longe e o outro para perto. Podemos considerar esta técnica (conhecida como monovisão) satisfatória e de relação custo-efetividade adequada.

Porem, novas perspectivas surgiram com a possibilidade do uso das lentes intraoculares quando da substituição do cristalino em casos de catarata e que também apresentam em suas propriedades a multifocalidade. É sim um método invasivo, pois incorre em remoção de cristalino com sua substituição, mas esta técnica vem se demonstrando, nos casos de boa indicação, uma satisfatória resposta ao desejo de se ter boa visão para perto e para longe simultaneamente.

O avanço mais recente e justamente aquele que se mostra mais promissor, embora ainda restrito a pacientes presbitas e que apresentem um pouco de hipermetropia, é o do presbilsaik. Neste procedimento corrige-se o grau para longe e cria-se, por meio da programação do laser, uma pequena alteração esférica chamada “aberração”, que permite trabalhar-se na profundidade de foco conjuntamente com o olho contra-lateral, fazendo com que na visão bilateral exista melhora na sua qualidade para perto. Não são todos os lasers que tem este dispositivo, mas em nossa experiência (com mais de 50 casos operados) podemos dizer que os resultados, se bem orientados, frente as expectativas do paciente, são bastante promissores. Com boa iluminação a visão melhora e o prejuízo para longe se torna mínimo.

O fato é que este processo de diminuição da acomodação afeta a todos nós e as tecnologias deverão buscar respostas cada vez mais eficientes e seguras para seu tratamento cirúrgico. Cabe ao paciente entender que nenhum deles é perfeito, mas que trazem melhorias na qualidade visual. Cabe ao médico analisar criteriosamente, explicar as vantagens e desvantagens de cada um dos métodos e, dentro disso, de maneira criteriosa, decidir qual a melhor alternativa. Nada que possa ser buscado como informação escrita supera o diálogo do médico com o paciente e, portanto, sempre antes de se submeter a qualquer procedimento, esteja seguro de que suas dúvidas foram devidamente esclarecidas.

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