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A tecnologia a favor da visão

8 nov 2010 por Lotten Eyes    2 Comentários    Postado em: Cirurgias

São necessários mínimos 30 segundos para aposentar os óculos ou abandonar as lentes de contato. As cirurgias de correção de miopia, hipermetropia e astigmatismo – problemas oculares – oferecem uma técnica de sucesso, com baixo índice de erro. A liberdade visual, porém, não é tão democrática. Nem todos os olhos podem ser corrigidos mecanicamente.

O mercado brasileiro oferece três opções de procedimentos. O laser não é novo. A novidade na área nacional, ainda incorporada por poucos hospitais, é a utilização de um aparelho mais moderno, que utiliza dois tipos de laser. É este procedimento o responsável por corrigir o grau dos pilotos da Força Aérea Americana, revela Ana Luiza Hofling de Lima, chefe da equipe de oftalmologia do Hospital 9 de Julho de São Paulo.

“A técnica eleva o custo do procedimento tradicional, feito com apenas um laser, mas minimiza as imperfeições da córnea e diminui os riscos do pós-operatório. Em geral, essas cirurgias não apresentam problema na aplicação, mas sim no processo de cicatrização.”

A tecnologia do aparelho a laser, utilizado para modelar a córnea e eliminar as imperfeições – o grau – garante precisão e diminui a possibilidade de erro. Os especialistas alertam, entretanto, que a cegueira ou perda de visão, embora raras, são sequelas provocadas pela má avaliação do especialista antes da cirurgia, ou pela falta de cuidados do próprio paciente após o procedimento.
“As complicações ocorrem quando a avaliação pré-operatória foi mal feita, ou por falta de higiene, proteção e controle do paciente”, revela Claudio Lottenberg, oftalmologista e presidente do Hospital Albert Einstein de São Paulo.

O procedimento é rápido, mas deve demandar tempo e clareza dos ganhos e possibilidades. Entender o que a sua córnea permite e quais os resultados que a cirurgia proporcionará é fundamental, ressalta o médico.

Para Lottenberg, o coeficiente de risco é elevado quando esse diálogo não existe, ou quando a expectativa do paciente é incompatível com as possibilidades reais da cirurgia. “Muitos pacientes querem zerar o grau. Nem sempre é possível corrigir 100% do problema. O objetivo é proporcionar um conforto visual, diminuir o grau. Os óculos passam a ser usados para descanso, mas a cirurgia não o inutiliza.”

Janela limpa

Inflamações ou infecção nos olhos após a cirurgia são consequências da falta de higiene, descuido com a medicação e falha no acompanhamento. O presidente do Einstein explica que o procedimento equivale a uma janela limpa. O relapso do paciente altera a transparência dessa janela.

“O pós-operatório e tão fundamental quanto a avaliação correta do médico. O paciente precisa seguir à risca as orientações do especialista. Nesta etapa, pode ocorrer uma inflamação e modificar a cicatrização da córnea, comprometendo o resultado.”

Laser ou implante?

Para quem usa lentes de contato, e quer investir no método de correção permanente, os médicos alertam que é preciso resgatar os óculos da gaveta ao menos uma semana antes de realizar os exames. A lente altera o formato da córnea e não permite que a análise ou o mapeamento dos olhos seja feito com precisão, explica Lottenberg. A recomendação já é exigida pelos médicos em consultas de rotina, para medir possiveis alterações na graduação, mas nem sempre encarada com seriedade pelos pacientes.

O tempo de preparo deve ser longo e cauteloso. Cabe ao médico avaliar a estabilidade do grau, identificar se a córnea tem limites de curvatura normais – não pode ser muito curva, nem muito plana – e, principalmente, analisar a espessura. “A cirurgia é uma espécie de polimento da córnea. Modelamos para que as medidas finais do olho correspondam a uma visão sem grau. Se ela for muito fina, inviabiliza o procedimento”, ensina Ana Luiza, do 9 de Julho.

Tais pré-requisitos, embora fundamentais, não garantem o perfil compatível ao procedimento. “Alguns pacientes, apesar de cumprirem com todas as exigências iniciais, não são bons candidatos. Aqueles que apresentam graus muito elevados, acima de nove, devem optar por implantes de lentes”, completa o médico do Einstein.

Para implantar a lente nos olhos, é preciso menos de um minuto de cirurgia. O material é maleável, com dimensões estabelecidas e do tamanho dos olhos do paciente. Ana Holfilng explica que é feito um corte mínimo, de aproximadamente 2 milímetros, para que as lentes sejam colocadas. O procedimento, embora mais agressivo, é seguro, reversível e com ótimos resultados. “A cicatrização é até mais rápida. Em poucos dias o paciente está apto a trabalhar, retomar as atividades”, garante a médica.

Fonte: Lívia Machado, iG São Paulo | 29/10/2010 12:52

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